Artrose: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento
A artrose afeta milhões de pessoas e é uma das principais causas de dor crônica e limitação física. Entender a doença é o primeiro passo para controlá-la.
O que é artrose?
Artrose também chamada de osteoartrite, é uma doença crônica das articulações. Ela acontece quando a cartilagem, uma espécie de “almofada” que protege as extremidades dos ossos, vai se desgastando com o tempo.
Sem essa proteção, os ossos passam a se tocar durante o movimento. Isso gera dor, inchaço, rigidez e, em casos mais avançados, deformidade na articulação.
A artrose pode afetar qualquer articulação, mas é mais comum nos joelhos, quadris, mãos e coluna vertebral.
Importante: Artrose não é uma parte inevitável do envelhecimento. Nem toda pessoa que envelhece vai desenvolver a doença e quem tem artrose pode viver bem com o tratamento adequado.
Ela é a forma mais comum de doença articular no mundo e uma das principais causas de dor crônica e perda de mobilidade em adultos.

Sintomas mais comuns e sinais de alerta
Os sintomas da artrose costumam aparecer gradualmente, piorando ao longo dos meses ou anos. Os mais frequentes são:
- Dor na articulação durante ou depois do movimento
- Rigidez, especialmente ao acordar ou após ficar parado por um tempo
- Inchaço ao redor da articulação
- Sensação de rangido ou estalos ao movimentar a articulação
- Diminuição da amplitude de movimento — dificuldade para dobrar ou esticar completamente
- Fraqueza muscular ao redor da articulação afetada
Sinais de alerta — procure um médico se:
- A dor for intensa e não melhorar com repouso
- A articulação estiver muito inchada, quente ou vermelha
- Você tiver febre junto com dor articular
- A dor aparecer subitamente, sem causa aparente
- Houver limitação significativa para atividades básicas, como caminhar ou subir escadas
A rigidez matinal da artrose costuma durar menos de 30 minutos. Quando dura mais, pode ser sinal de outro tipo de doença articular, como artrite reumatoide — por isso o diagnóstico médico é essencial.
Principais causas e fatores de risco
A artrose não tem uma causa única. Ela resulta de uma combinação de fatores que sobrecarregam ou desgastam a articulação ao longo do tempo.
Fatores que aumentam o risco
Idade avançadaSexo femininoSobrepeso ou obesidadeLesões articulares antigasMovimentos repetitivosHistórico familiarFraqueza muscularDeformidades ósseas
- Idade: O risco aumenta com o envelhecimento, mas artrose não é exclusiva de idosos.
- Peso corporal: O excesso de peso aumenta a carga sobre joelhos e quadris. Cada quilo a mais representa uma carga muito maior sobre essas articulações durante o movimento.
- Lesões antigas: Fraturas, luxações e lesões ligamentares aumentam o risco de artrose na articulação afetada.
- Atividades repetitivas: Trabalhos ou esportes que exigem movimentos repetitivos de uma mesma articulação por anos.
- Genética: A predisposição familiar existe, especialmente para artrose das mãos.
- Fraqueza muscular: Músculos fracos ao redor da articulação aumentam a sobrecarga sobre a cartilagem.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de artrose é, na maioria das vezes, clínico — ou seja, feito pelo médico com base na história do paciente, nos sintomas relatados e no exame físico.
Exames complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico ou descartar outras doenças:
- Raio-X: Mostra redução do espaço articular, formação de bicos ósseos (osteófitos) e alterações nos ossos. É o exame mais usado.
- Ressonância magnética: Avalia cartilagem, ligamentos e estruturas ao redor da articulação com mais detalhe. Indicada em casos específicos.
- Exames de sangue: Não diagnosticam artrose diretamente, mas ajudam a excluir outras causas de dor articular, como artrite reumatoide ou gota.
Atenção: Alterações no raio-X não determinam a intensidade dos sintomas. Uma imagem com desgaste pode estar associada a pouca ou nenhuma dor — e vice-versa. O médico avalia o conjunto de sinais e sintomas, não apenas o exame
Foto de médico ortopedista examinando o joelho de um paciente
Tratamento e cuidados: o que realmente funciona
A artrose não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é reduzir a dor, melhorar a mobilidade e preservar a qualidade de vida. O tratamento começa pelas medidas não medicamentosas — e elas são as mais importantes.
1. Exercícios físicos
Exercícios regulares são considerados a base do tratamento. Eles reduzem a dor, melhoram a função articular e fortalecem os músculos que protegem a articulação.
Os exercícios mais recomendados pelas principais diretrizes internacionais incluem:
- Caminhada, bicicleta ergométrica e hidroginástica (aeróbicos de baixo impacto)
- Fortalecimento muscular da região afetada
- Exercícios de equilíbrio e coordenação
- Tai chi e yoga (demonstram benefício sustentado por pelo menos 24 semanas)
- Fisioterapia supervisionada — produz maior redução de dor do que exercícios em grupo
O repouso prolongado piora a artrose. Manter-se ativo, dentro dos limites de cada pessoa, é mais eficaz do que ficar parado. A fisioterapia ajuda a montar um programa de exercícios adequado para cada caso.
2. Perda de peso
Para quem tem sobrepeso ou obesidade, perder peso é uma das medidas mais eficazes disponíveis. Reduzir o peso corporal diminui diretamente a carga sobre joelhos e quadris — e os estudos mostram uma relação clara: quanto mais peso se perde, maior a melhora da dor e da função.
Mesmo uma redução de 5% do peso corporal já traz melhora perceptível nos sintomas. A combinação de dieta e exercícios funciona melhor do que cada um isolado.
Infográfico simples: setamostrando relação entre perda de peso e redução da carga sobre o joelho. Ex: “cada 5 kg a menos = menos pressão articular”.
3. Educação e autogestão
Entender a doença faz parte do tratamento. Pacientes que conhecem sua condição conseguem gerenciar melhor os sintomas, adaptar atividades do dia a dia e manter a adesão ao tratamento a longo prazo.
Estudos mostram que programas de educação em saúde reduzem a dor no joelho e melhoram a função física, mesmo quando aplicados de forma isolada. Rastreadores de atividade, terapia cognitivo-comportamental e estabelecimento de metas também têm evidência positiva.
4. Medicamentos
Os medicamentos são usados para controlar os sintomas, especialmente quando as medidas não farmacológicas não são suficientes. Sempre com orientação e prescrição médica.
| Medicamento | Uso | Observação |
|---|---|---|
| Anti-inflamatórios (AINEs) tópicos | Artrose de joelho e mãos | Menor risco gastrointestinal que os orais |
| Anti-inflamatórios (AINEs) orais | Dor moderada a intensa | Cautela em pacientes com problemas renais, gástricos ou cardíacos |
| Paracetamol (acetaminofeno) | Dor leve | Efeito mais modesto; alternativa quando AINEs são contraindicados |
| Duloxetina | Dor crônica de artrose | Pode ser útil especialmente em artrose de joelho |
| Infiltração com corticosteroide | Crises de dor intensa | Alívio temporário; não trata a causa da artrose |
5. Dispositivos de apoio
Bengalas, joelheiras específicas e órteses para a base do polegar podem ajudar a reduzir a sobrecarga articular e melhorar a mobilidade nas atividades diárias. A indicação é feita pelo médico ou fisioterapeuta conforme a articulação afetada.
6. Cirurgia
A cirurgia — em especial a artroplastia (prótese articular) — é reservada para casos avançados, quando a dor é intensa e persistente, há grande limitação funcional e o tratamento conservador não traz alívio adequado.
Os resultados são bastante satisfatórios: cerca de 90% dos pacientes com prótese de quadril e 80% com prótese de joelho relatam melhora substancial da dor. A decisão é sempre individualizada e feita em conjunto com o especialista.
O que não é recomendado: As principais diretrizes contraindicam injeções de células-tronco e artroscopia para artrose. A evidência sobre ácido hialurônico (viscossuplementação) ainda é controversa e inconsistente entre os estudos.
Possíveis complicações
Quando não tratada adequadamente, a artrose pode evoluir e causar complicações que afetam significativamente a qualidade de vida:
- Perda progressiva de mobilidade: Dificuldade crescente para realizar atividades básicas como caminhar, subir escadas ou vestir-se.
- Atrofia muscular: A falta de uso por dor leva ao enfraquecimento dos músculos ao redor da articulação, agravando o quadro.
- Deformidade articular: Em casos avançados, a articulação pode perder sua forma normal.
- Impacto na saúde mental: Dor crônica e limitação física estão associadas a maior risco de ansiedade e depressão.
- Isolamento social: A limitação de movimento pode reduzir a participação em atividades sociais e de lazer.
- Risco de quedas: Fraqueza e instabilidade aumentam o risco, especialmente em idosos.
Formas de prevenção
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de desenvolver artrose, algumas medidas reduzem significativamente as chances e retardam sua progressão:
- Manter o peso saudável: Reduz a carga sobre joelhos e quadris.
- Praticar exercícios regularmente: Fortalece os músculos que protegem as articulações e mantém a cartilagem saudável.
- Evitar lesões articulares: Usar equipamentos de proteção em esportes e atentar para posturas seguras no trabalho.
- Tratar lesões adequadamente: Lesões mal tratadas aumentam o risco de artrose futura.
- Evitar movimentos repetitivos sem pausas: Especialmente relevante para quem trabalha em funções que sobrecarregam as mesmas articulações.
Quando procurar ajuda médica
Procure atendimento médico se você tiver:
- Dor articular intensa e súbita, diferente das habituais
- Articulação muito inchada, quente e vermelha (pode indicar infecção ou gota)
- Febre associada a dor articular
- Incapacidade de movimentar ou apoiar peso na articulação
- Trauma recente (queda, impacto) com dor intensa no joelho ou quadril
Para sintomas que persistem por mais de algumas semanas ou que interferem nas atividades do dia a dia, o ideal é consultar um ortopedista ou reumatologista para avaliação e diagnóstico correto.
Sente dor articular ou limitação de movimento?
A artrose tem tratamento eficaz — e quanto antes iniciado, melhores os resultados. Um ortopedista ou reumatologista pode avaliar seu caso, confirmar o diagnóstico e montar o plano de tratamento mais adequado para você.
Agendar consulta com especialista
Perguntas Frequentes
Fontes e referências
- Katz JN, Arant KR, Loeser RF. Diagnosis and Treatment of Hip and Knee Osteoarthritis: A Review. JAMA. 2021.
- Duong V, Oo WM, Ding C, Culvenor AG, Hunter DJ. Evaluation and Treatment of Knee Pain: A Review. JAMA. 2023.
- Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis & Rheumatology. 2020.
- Gibbs AJ, Gray B, Wallis JA, et al. Recommendations for the Management of Hip and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review of Clinical Practice Guidelines. Osteoarthritis and Cartilage. 2023.
- Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019.
- Sharma L. Osteoarthritis of the Knee. New England Journal of Medicine. 2021.
- Buelt A, Narducci DM. Osteoarthritis Management: Updated Guidelines From the American College of Rheumatology and Arthritis Foundation. American Family Physician. 2021.
- Kloppenburg M, Namane M, Cicuttini F. Osteoarthritis. Lancet. 2025.
Os comentários estão fechados.