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Blog dr.consulta / Saúde de A-Z / Artrose: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento
Saúde de A-Z

Artrose: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

A artrose afeta milhões de pessoas e é uma das principais causas de dor crônica e limitação física. Entender...
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Helena Lopes
7 horas atrás
20 minutos para ler

A artrose afeta milhões de pessoas e é uma das principais causas de dor crônica e limitação física. Entender a doença é o primeiro passo para controlá-la.

O que é artrose?

Artrose também chamada de osteoartrite, é uma doença crônica das articulações. Ela acontece quando a cartilagem, uma espécie de “almofada” que protege as extremidades dos ossos, vai se desgastando com o tempo.

Sem essa proteção, os ossos passam a se tocar durante o movimento. Isso gera dor, inchaço, rigidez e, em casos mais avançados, deformidade na articulação.

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A artrose pode afetar qualquer articulação, mas é mais comum nos joelhos, quadris, mãos e coluna vertebral.

Importante: Artrose não é uma parte inevitável do envelhecimento. Nem toda pessoa que envelhece vai desenvolver a doença e quem tem artrose pode viver bem com o tratamento adequado.

Ela é a forma mais comum de doença articular no mundo e uma das principais causas de dor crônica e perda de mobilidade em adultos.

Sintomas mais comuns e sinais de alerta

Os sintomas da artrose costumam aparecer gradualmente, piorando ao longo dos meses ou anos. Os mais frequentes são:

  • Dor na articulação durante ou depois do movimento
  • Rigidez, especialmente ao acordar ou após ficar parado por um tempo
  • Inchaço ao redor da articulação
  • Sensação de rangido ou estalos ao movimentar a articulação
  • Diminuição da amplitude de movimento — dificuldade para dobrar ou esticar completamente
  • Fraqueza muscular ao redor da articulação afetada

Sinais de alerta — procure um médico se:

  • A dor for intensa e não melhorar com repouso
  • A articulação estiver muito inchada, quente ou vermelha
  • Você tiver febre junto com dor articular
  • A dor aparecer subitamente, sem causa aparente
  • Houver limitação significativa para atividades básicas, como caminhar ou subir escadas

A rigidez matinal da artrose costuma durar menos de 30 minutos. Quando dura mais, pode ser sinal de outro tipo de doença articular, como artrite reumatoide — por isso o diagnóstico médico é essencial.

Principais causas e fatores de risco

A artrose não tem uma causa única. Ela resulta de uma combinação de fatores que sobrecarregam ou desgastam a articulação ao longo do tempo.

Fatores que aumentam o risco

Idade avançadaSexo femininoSobrepeso ou obesidadeLesões articulares antigasMovimentos repetitivosHistórico familiarFraqueza muscularDeformidades ósseas

  • Idade: O risco aumenta com o envelhecimento, mas artrose não é exclusiva de idosos.
  • Peso corporal: O excesso de peso aumenta a carga sobre joelhos e quadris. Cada quilo a mais representa uma carga muito maior sobre essas articulações durante o movimento.
  • Lesões antigas: Fraturas, luxações e lesões ligamentares aumentam o risco de artrose na articulação afetada.
  • Atividades repetitivas: Trabalhos ou esportes que exigem movimentos repetitivos de uma mesma articulação por anos.
  • Genética: A predisposição familiar existe, especialmente para artrose das mãos.
  • Fraqueza muscular: Músculos fracos ao redor da articulação aumentam a sobrecarga sobre a cartilagem.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de artrose é, na maioria das vezes, clínico — ou seja, feito pelo médico com base na história do paciente, nos sintomas relatados e no exame físico.

Exames complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico ou descartar outras doenças:

  • Raio-X: Mostra redução do espaço articular, formação de bicos ósseos (osteófitos) e alterações nos ossos. É o exame mais usado.
  • Ressonância magnética: Avalia cartilagem, ligamentos e estruturas ao redor da articulação com mais detalhe. Indicada em casos específicos.
  • Exames de sangue: Não diagnosticam artrose diretamente, mas ajudam a excluir outras causas de dor articular, como artrite reumatoide ou gota.

Atenção: Alterações no raio-X não determinam a intensidade dos sintomas. Uma imagem com desgaste pode estar associada a pouca ou nenhuma dor — e vice-versa. O médico avalia o conjunto de sinais e sintomas, não apenas o exame

Foto de médico ortopedista examinando o joelho de um paciente

Tratamento e cuidados: o que realmente funciona

A artrose não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é reduzir a dor, melhorar a mobilidade e preservar a qualidade de vida. O tratamento começa pelas medidas não medicamentosas — e elas são as mais importantes.

1. Exercícios físicos

Exercícios regulares são considerados a base do tratamento. Eles reduzem a dor, melhoram a função articular e fortalecem os músculos que protegem a articulação.

Os exercícios mais recomendados pelas principais diretrizes internacionais incluem:

  • Caminhada, bicicleta ergométrica e hidroginástica (aeróbicos de baixo impacto)
  • Fortalecimento muscular da região afetada
  • Exercícios de equilíbrio e coordenação
  • Tai chi e yoga (demonstram benefício sustentado por pelo menos 24 semanas)
  • Fisioterapia supervisionada — produz maior redução de dor do que exercícios em grupo

O repouso prolongado piora a artrose. Manter-se ativo, dentro dos limites de cada pessoa, é mais eficaz do que ficar parado. A fisioterapia ajuda a montar um programa de exercícios adequado para cada caso.

2. Perda de peso

Para quem tem sobrepeso ou obesidade, perder peso é uma das medidas mais eficazes disponíveis. Reduzir o peso corporal diminui diretamente a carga sobre joelhos e quadris — e os estudos mostram uma relação clara: quanto mais peso se perde, maior a melhora da dor e da função.

Mesmo uma redução de 5% do peso corporal já traz melhora perceptível nos sintomas. A combinação de dieta e exercícios funciona melhor do que cada um isolado.

Infográfico simples: setamostrando relação entre perda de peso e redução da carga sobre o joelho. Ex: “cada 5 kg a menos = menos pressão articular”.

3. Educação e autogestão

Entender a doença faz parte do tratamento. Pacientes que conhecem sua condição conseguem gerenciar melhor os sintomas, adaptar atividades do dia a dia e manter a adesão ao tratamento a longo prazo.

Estudos mostram que programas de educação em saúde reduzem a dor no joelho e melhoram a função física, mesmo quando aplicados de forma isolada. Rastreadores de atividade, terapia cognitivo-comportamental e estabelecimento de metas também têm evidência positiva.

4. Medicamentos

Os medicamentos são usados para controlar os sintomas, especialmente quando as medidas não farmacológicas não são suficientes. Sempre com orientação e prescrição médica.

MedicamentoUsoObservação
Anti-inflamatórios (AINEs) tópicosArtrose de joelho e mãosMenor risco gastrointestinal que os orais
Anti-inflamatórios (AINEs) oraisDor moderada a intensaCautela em pacientes com problemas renais, gástricos ou cardíacos
Paracetamol (acetaminofeno)Dor leveEfeito mais modesto; alternativa quando AINEs são contraindicados
DuloxetinaDor crônica de artrosePode ser útil especialmente em artrose de joelho
Infiltração com corticosteroideCrises de dor intensaAlívio temporário; não trata a causa da artrose

5. Dispositivos de apoio

Bengalas, joelheiras específicas e órteses para a base do polegar podem ajudar a reduzir a sobrecarga articular e melhorar a mobilidade nas atividades diárias. A indicação é feita pelo médico ou fisioterapeuta conforme a articulação afetada.

6. Cirurgia

A cirurgia — em especial a artroplastia (prótese articular) — é reservada para casos avançados, quando a dor é intensa e persistente, há grande limitação funcional e o tratamento conservador não traz alívio adequado.

Os resultados são bastante satisfatórios: cerca de 90% dos pacientes com prótese de quadril e 80% com prótese de joelho relatam melhora substancial da dor. A decisão é sempre individualizada e feita em conjunto com o especialista.

O que não é recomendado: As principais diretrizes contraindicam injeções de células-tronco e artroscopia para artrose. A evidência sobre ácido hialurônico (viscossuplementação) ainda é controversa e inconsistente entre os estudos.

Possíveis complicações

Quando não tratada adequadamente, a artrose pode evoluir e causar complicações que afetam significativamente a qualidade de vida:

  • Perda progressiva de mobilidade: Dificuldade crescente para realizar atividades básicas como caminhar, subir escadas ou vestir-se.
  • Atrofia muscular: A falta de uso por dor leva ao enfraquecimento dos músculos ao redor da articulação, agravando o quadro.
  • Deformidade articular: Em casos avançados, a articulação pode perder sua forma normal.
  • Impacto na saúde mental: Dor crônica e limitação física estão associadas a maior risco de ansiedade e depressão.
  • Isolamento social: A limitação de movimento pode reduzir a participação em atividades sociais e de lazer.
  • Risco de quedas: Fraqueza e instabilidade aumentam o risco, especialmente em idosos.

Formas de prevenção

Embora não seja possível eliminar completamente o risco de desenvolver artrose, algumas medidas reduzem significativamente as chances e retardam sua progressão:

  • Manter o peso saudável: Reduz a carga sobre joelhos e quadris.
  • Praticar exercícios regularmente: Fortalece os músculos que protegem as articulações e mantém a cartilagem saudável.
  • Evitar lesões articulares: Usar equipamentos de proteção em esportes e atentar para posturas seguras no trabalho.
  • Tratar lesões adequadamente: Lesões mal tratadas aumentam o risco de artrose futura.
  • Evitar movimentos repetitivos sem pausas: Especialmente relevante para quem trabalha em funções que sobrecarregam as mesmas articulações.

Quando procurar ajuda médica

Procure atendimento médico se você tiver:

  • Dor articular intensa e súbita, diferente das habituais
  • Articulação muito inchada, quente e vermelha (pode indicar infecção ou gota)
  • Febre associada a dor articular
  • Incapacidade de movimentar ou apoiar peso na articulação
  • Trauma recente (queda, impacto) com dor intensa no joelho ou quadril

Para sintomas que persistem por mais de algumas semanas ou que interferem nas atividades do dia a dia, o ideal é consultar um ortopedista ou reumatologista para avaliação e diagnóstico correto.

Sente dor articular ou limitação de movimento?

A artrose tem tratamento eficaz — e quanto antes iniciado, melhores os resultados. Um ortopedista ou reumatologista pode avaliar seu caso, confirmar o diagnóstico e montar o plano de tratamento mais adequado para você.

Agendar consulta com especialista

Perguntas Frequentes

Artrose tem cura? ?
Não. A artrose é uma doença crônica e não tem cura no momento. Porém, com tratamento adequado — exercícios, controle do peso e, se necessário, medicamentos — é possível controlar a dor, melhorar a mobilidade e retardar o avanço da doença. Muitas pessoas com artrose levam uma vida ativa e com boa qualidade de vida.
Qual a diferença entre artrose e artrite? ?
Artrose é o desgaste da cartilagem articular, geralmente associado à idade e ao uso. Artrite é a inflamação da articulação, muitas vezes ligada a doenças autoimunes como artrite reumatoide. Ambas causam dor articular, mas têm causas, evolução e tratamentos diferentes. O diagnóstico correto é feito pelo médico.
O que é bom para artrose no joelho? ?
As medidas com maior evidência científica são: exercícios regulares (especialmente fortalecimento muscular e atividades aeróbicas de baixo impacto), perda de peso (se houver sobrepeso), fisioterapia e educação sobre a doença. Medicamentos anti-inflamatórios e infiltrações podem ser usados para controlar crises de dor, sempre com orientação médica.
Repouso melhora a artrose? ?
Não. O repouso prolongado piora a artrose, porque aumenta a rigidez e enfraquece os músculos ao redor da articulação. O ideal é manter-se ativo com exercícios adequados ao seu condicionamento e à articulação afetada. Um fisioterapeuta pode ajudar a montar um programa seguro.
Artrose de joelho tem graus? O que significa? ?
Sim. A artrose costuma ser classificada em graus (geralmente de I a IV) com base nas alterações vistas no raio-X. Nos graus iniciais, o desgaste é pequeno; nos avançados, há perda significativa do espaço articular e deformidade. Porém, o grau radiológico não determina diretamente a intensidade da dor — algumas pessoas com grau avançado têm pouca dor, enquanto outras com grau leve sofrem muito. O tratamento leva em conta os sintomas, não apenas o raio-X.
Infiltração no joelho resolve a artrose? ?
A infiltração de corticosteroide pode aliviar a dor temporariamente, especialmente durante crises. Ela não trata a causa da artrose nem substitui exercícios e mudanças no estilo de vida. É uma ferramenta útil em situações específicas, indicada pelo médico.
Qual médico trata artrose? ?
O diagnóstico e o acompanhamento podem ser feitos por ortopedistas e reumatologistas. Para o tratamento funcional e programas de exercícios, o fisioterapeuta é fundamental. Em casos avançados que necessitam de cirurgia, o ortopedista é o especialista responsável.
Artrose de quadril tem tratamento sem cirurgia? ?
Sim. A grande maioria dos casos é tratada sem cirurgia, especialmente nos estágios iniciais e intermediários. Exercícios, perda de peso, fisioterapia e medicamentos são as principais ferramentas. A cirurgia (prótese de quadril) só é indicada quando o tratamento conservador não traz alívio adequado e a qualidade de vida está muito comprometida.

Fontes e referências

  1. Katz JN, Arant KR, Loeser RF. Diagnosis and Treatment of Hip and Knee Osteoarthritis: A Review. JAMA. 2021.
  2. Duong V, Oo WM, Ding C, Culvenor AG, Hunter DJ. Evaluation and Treatment of Knee Pain: A Review. JAMA. 2023. 
  3. Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis & Rheumatology. 2020.
  4. Gibbs AJ, Gray B, Wallis JA, et al. Recommendations for the Management of Hip and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review of Clinical Practice Guidelines. Osteoarthritis and Cartilage. 2023.
  5. Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019.
  6. Sharma L. Osteoarthritis of the Knee. New England Journal of Medicine. 2021.
  7. Buelt A, Narducci DM. Osteoarthritis Management: Updated Guidelines From the American College of Rheumatology and Arthritis Foundation. American Family Physician. 2021.
  8. Kloppenburg M, Namane M, Cicuttini F. Osteoarthritis. Lancet. 2025.

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Helena Lopes

Técnica de enfermagem formada pela Cruz Vermelha Brasileira, com experiência em saúde preventiva, acompanhamento de pacientes e cuidados pós-operatórios. Hoje, ela dedica seu trabalho à criação de conteúdo e ao aprofundamento em estudos científicos sobre saúde e bem-estar, tornando temas médicos complexos mais simples e acessíveis para a população.
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