Convulsão: O que é, causas, sintomas e como agir
A convulsão é um evento neurológico que costuma gerar medo e insegurança em quem presencia a situação. Apesar do impacto visual, é importante saber que, na maioria das vezes, trata-se de um episódio temporário e controlável com as atitudes corretas. Estudos indicam que cerca de 1 em cada 10 pessoas terá pelo menos uma convulsão ao longo da vida.
Entenda quais são os principais sintomas e saiba como agir corretamente em caso de convulsão.
O que é convulsão?
A convulsão é o resultado de uma atividade elétrica cerebral anormal, excessiva e desorganizada. Imagine esse evento como um “curto-circuito” ou um pico de energia que interfere na comunicação entre os neurônios, gerando reações físicas e sensoriais imediatas.
Visualmente, a convulsão se manifesta como uma contratura involuntária da musculatura, provocando movimentos desordenados e bruscos em diversas partes do corpo. Na maioria dos casos, o episódio é acompanhado pela perda súbita de consciência, o que significa que a pessoa não terá memória do evento após o seu término.
Convulsão e Epilepsia: Qual a diferença?
Embora usados como sinônimos no dia a dia, os termos possuem distinções importantes para o diagnóstico médico:
- Convulsão: É um evento isolado, muitas vezes provocado por um fator externo ou temporário, como febre alta, hipoglicemia ou trauma. Uma vez tratada a causa, o episódio pode nunca mais se repetir.
- Epilepsia: É uma condição neurológica crônica. O diagnóstico é geralmente considerado quando ocorrem duas ou mais crises recorrentes e não provocadas, exigindo acompanhamento médico contínuo e uso de medicação específica.
Principais causas e gatilhos
As causas podem ser divididas entre fatores temporários (sintomáticos) e problemas estruturais no cérebro:
- Febre alta: Causa principal em crianças pequenas (convulsão febril).
- Alterações metabólicas: Queda brusca de glicose ou desequilíbrio de eletrólitos (sódio e cálcio).
- Privação de sono e estresse: Fatores que sobrecarregam a atividade cerebral.
- Uso ou abstinência de substâncias: Álcool, drogas ou interrupção de medicamentos controlados.
- AVC (Acidente Vascular Cerebral): Causa comum em idosos.
- Traumatismos cranianos: Pancadas fortes na cabeça.
- Infecções: Meningite, encefalite ou neurocisticercose.
Sintomas: Como identificar uma crise?
Os sinais variam conforme o tipo de crise, mas os sintomas mais frequentes incluem:
- Perda súbita de consciência seguida de queda.
- Movimentos involuntários (tremores ou abalos musculares).
- Rigidez muscular intensa (corpo esticado).
- Salivação excessiva e olhar fixo.
Guia de primeiros socorros: Como agir em caso de convulsão?
A maioria das crises convulsivas dura de 1 a 3 minutos e termina espontaneamente. O papel de quem presencia não é interromper a crise, mas sim proteger a pessoa e evitar ferimentos secundários.
O que fazer: Passo a passo
- Mantenha a calma e cronometre: Observe o tempo de duração da crise. Se ultrapassar 5 minutos, a situação é de emergência.
- Proteja a cabeça: Coloque algo macio embaixo (casaco, bolsa ou almofada) para evitar traumas cranianos contra o chão.
- Afaste objetos perigosos: Retire móveis, objetos cortantes ou acessórios como óculos, relógios e pulseiras que possam causar machucados.
- Afrouxe as roupas: Principalmente na região do pescoço (gravatas, camisas apertadas) para facilitar a respiração.
- Posição lateral de segurança: Assim que os movimentos pararem, ou se a pessoa estiver babando, deite-a de lado. Isso evita o sufocamento por saliva ou vômito e mantém as vias aéreas livres.
- Acompanhe a recuperação: Permaneça ao lado da pessoa até que ela recupere totalmente a consciência. Ela poderá estar confusa ou sonolenta após o episódio.
O que NÃO fazer (Erros comuns)
- Não coloque nada na boca: Nunca introduza lenços, panos ou dedos entre os dentes. O risco de asfixia, quebra de dentes ou mordidas graves é altíssimo. O mito de “enrolar a língua” é falso.
- Não segure a pessoa: Não tente conter os movimentos ou imobilizá-la. Isso pode causar fraturas ou luxações.
- Não tente despertar a pessoa: Não dê tapas, não jogue água no rosto e não ofereça cheiros fortes (como álcool ou amoníaco).
- Não ofereça líquidos ou comida: Aguarde a recuperação total da consciência antes de oferecer qualquer coisa para beber ou comer.
Quando procurar uma emergência?
- A crise durar mais de 5 minutos.
- A pessoa não recuperar a consciência entre uma crise e outra.
- Ocorrer em gestantes ou se houver ferimentos graves durante a queda.
E após a crise? Busque avaliação especializada
Mesmo quando a convulsão passa e não há necessidade de emergência, é fundamental investigar a causa do episódio. A avaliação com um neurologista permite identificar possíveis alterações, orientar exames e definir o acompanhamento adequado para prevenir novas crises.