Síndrome vasovagal: o que é, sintomas, causas e tratamentos
A síndrome vasovagal é uma das causas mais comuns de desmaio, também chamada de síncope vasovagal. Apesar de assustar quem presencia o episódio, na maioria dos casos não está relacionada a doenças cardíacas graves. Ainda assim, merece atenção, principalmente quando os episódios se tornam frequentes ou acontecem em situações inesperadas.
Entender o que é a síndrome vasovagal, quais são os sinais, por que acontece e como prevenir ajuda a reduzir o medo e permite agir de forma mais segura diante de um episódio.
O que é a síndrome vasovagal?
É um tipo de desmaio que acontece quando, por alguns instantes, o cérebro recebe menos sangue do que precisa.
Como ocorre:
- Diminuição súbita da pressão arterial
- Redução da frequência cardíaca
- Recuperação rápida e espontânea
De acordo com diretrizes da Heart Rhythm Society e do American College of Cardiology, é o tipo mais frequente de síncope e geralmente tem bom prognóstico.
Por que acontece?
O corpo reage de forma exagerada a algum gatilho.
Funciona assim:
- Um gatilho ocorre
- O sistema nervoso reduz o tônus simpático
- Aumenta a atividade parassimpática
- A pressão e o pulso caem
- O cérebro recebe menos sangue
- O desmaio acontece
Esse reflexo pode ser desencadeado por estímulos emocionais, dor ou alterações posturais.
Principais causas e gatilhos
A síndrome vasovagal costuma ocorrer em situações como:
- Ficar muito tempo em pé
- Ambientes quentes
- Estresse emocional
- Dor intensa
- Ver sangue
- Procedimentos médicos
- Desidratação
Alguns medicamentos podem aumentar a suscetibilidade:
- Diuréticos
- Vasodilatadores
- Anti-hipertensivos
Sintomas antes do desmaio
O corpo geralmente envia sinais de alerta, chamados pródromos:
- Tontura
- Náusea
- Sudorese fria
- Palidez
- Sensação de calor
- Visão turva ou escurecendo
- Zumbido
Reconhecer esses sinais é essencial para evitar quedas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é principalmente clínico, baseado em:
- Descrição do episódio
- Presença de sintomas prévios
- Situação desencadeante
- Recuperação rápida
Podem ser solicitados exames como:
- Eletrocardiograma
- Monitorização cardíaca
- Teste de inclinação (Tilt test)
O objetivo é descartar causas cardíacas ou neurológicas mais graves.
Tratamento da síndrome vasovagal
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador.
Medidas comportamentais
- Aumentar ingestão de líquidos
- Ingerir sal sob orientação médica
- Evitar jejum prolongado
- Evitar ambientes muito quentes
- Não permanecer muito tempo em pé
Manobras físicas
Quando surgirem os sintomas:
- Deitar-se e elevar as pernas
- Sentar-se e inclinar a cabeça entre os joelhos
- Contrair músculos das pernas e braços
Essas técnicas ajudam a manter a pressão arterial.
Ajuste de medicamentos
Em pacientes com episódios recorrentes, pode ser necessário revisar medicamentos que causam hipotensão.
Tratamento medicamentoso
Reservado para casos recorrentes ou incapacitantes, e sempre avaliado individualmente.
Quando procurar ajuda médica?
É importante buscar avaliação se houver:
- Desmaio durante exercício físico
- Ausência de sintomas prévios
- Dor no peito
- Palpitações intensas
- Histórico familiar de morte súbita
- Lesões graves após queda
Embora seja geralmente benigna, a síndrome vasovagal deve ser avaliada quando os episódios são recorrentes ou apresentam características atípicas. O acompanhamento adequado garante diagnóstico correto e mais qualidade de vida.
Fonte
- Sheldon RS, Grubb BP, Olshansky B, et al. Declaração de Consenso de Especialistas da Heart Rhythm Society de 2015 sobre o Diagnóstico e Tratamento da Síndrome da Taquicardia Postural, Taquicardia Sinusal Inapropriada e Síncope Vasovagal . Heart Rhythm. 2015. Diretriz.
- Shen WK, Sheldon RS, Benditt DG, et al. Diretriz ACC/AHA/HRS de 2017 para Avaliação e Manejo de Pacientes com Síncope: Relatório da Força-Tarefa do Colégio Americano de Cardiologia/Associação Americana do Coração sobre Diretrizes de Prática Clínica e da Heart Rhythm Society . Journal of the American College of Cardiology. 2017. Diretriz.
- Kaufmann H, Norcliffe-Kaufmann L, Palma JA. Disfunção do Barorreflexo . The New England Journal of Medicine. 2020.