Hantavírus: entenda o que é, como acontece a transmissão e quais são os sintomas
A hantavirose é uma zoonose viral aguda que pode ser bastante grave. No Brasil, a doença se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), comprometendo pulmões e coração. Ela é causada por um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados.
Nos últimos anos, muitas pessoas passaram a buscar informações sobre o hantavírus após notícias envolvendo surtos e casos graves da doença. Apesar disso, especialistas reforçam que a infecção continua sendo incomum. Mesmo assim, é importante entender como ocorre a transmissão, quais são os sintomas e como se proteger.
O que é hantavírus?
Hantavírus é o nome dado a um grupo de vírus que podem causar infecções graves em humanos. No Brasil e em outros países das Américas, a doença costuma afetar principalmente os pulmões e o coração, podendo causar dificuldade respiratória importante.
Em alguns casos, a doença também pode afetar os rins.
Hantavirose no Brasil
Desde a identificação da doença no Brasil, em 1993, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram a maior parte dos registros históricos.
Os dados mais recentes apontam tendência de redução. Em 2025, foram registrados 35 casos e 15 óbitos — o menor número da série histórica recente. Em 2026, até o momento, o país contabiliza sete casos e um óbito.
Como o hantavírus é transmitido?
A forma mais comum de transmissão é pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A pessoa pode se contaminar ao:
- limpar locais fechados com fezes de ratos;
- mexer em depósitos, galpões ou casas abandonadas;
- entrar em ambientes pouco ventilados;
- inalar poeira contaminada.
Outras formas de transmissão menos comuns incluem o contato do vírus com mucosas — olhos, boca ou nariz — por meio de mãos contaminadas, e a mordedura de roedores infectados.
O período de incubação é em média de 1 a 5 semanas após a exposição, podendo variar de 3 a 60 dias.
Fatores que aumentam o risco
Diversos fatores ambientais estão associados ao aumento de casos, principalmente os que favorecem o contato entre humanos e roedores silvestres, como o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e a proximidade com grandes áreas de plantio.
Hantavírus passa de pessoa para pessoa?
Na maioria dos casos, não.
Existe uma variante rara encontrada na América do Sul chamada “vírus Andes” que pode ser transmitida entre pessoas em situações específicas de contato muito próximo. Porém, isso é incomum.
Quais são os sintomas do hantavírus?
Os primeiros sintomas podem parecer uma gripe forte ou uma virose comum.
Sintomas iniciais
- febre alta;
- dores no corpo;
- cansaço;
- dor de cabeça;
- náuseas;
- vômitos;
- calafrios;
- dor abdominal.
Depois de alguns dias, alguns pacientes podem piorar rapidamente.
Sintomas graves
- falta de ar;
- tosse;
- dificuldade para respirar;
- queda da pressão;
- cansaço extremo.
Quando a doença evolui dessa forma, é necessária internação urgente.
Hantavírus é grave?
Sim. Em alguns casos, o hantavírus pode causar insuficiência respiratória grave e até levar à morte. Por isso, sintomas respiratórios associados a contato recente com locais infestados por roedores precisam de avaliação médica rápida.
Como é feito o diagnóstico?
O médico avalia os sintomas, o histórico de exposição a ambientes com roedores e solicita exames de sangue específicos, realizados em laboratórios de referência da rede pública. Exames de imagem, como radiografia ou tomografia do tórax, também podem ser necessários.
Existe tratamento?
Não existe um remédio específico que elimine o vírus.
O tratamento é feito com suporte hospitalar, principalmente para ajudar a respiração e controlar as complicações.
Nos casos mais graves, o paciente pode precisar de:
- oxigênio;
- internação em UTI;
- ventilação mecânica.
Como prevenir o hantavírus?
A prevenção é baseada principalmente no controle de roedores e na limpeza segura de ambientes fechados.
Dicas importantes
- mantenha ambientes ventilados;
- use luvas e máscara em limpezas;
- evite levantar poeira;
- umedeça o local antes de limpar;
- armazene alimentos corretamente;
- evite acúmulo de lixo;
- controle a presença de roedores.
Quando procurar atendimento médico?
Procure atendimento rapidamente se você tiver:
- febre alta;
- dores no corpo;
- dificuldade para respirar;
- sintomas após contato com locais infestados por ratos.
O diagnóstico precoce pode fazer diferença no tratamento e na recuperação.
Fontes:
- Ministério da Saúde. Surto de Hantavírus no navio não representa risco para o Brasil. SVSA/MS, atualizado em 11/05/2026.
- Ministério da Saúde. Óbitos confirmados de Hantavirose por Local Provável de Infecção. Brasil, Regiões e Unidades Federadas, 2013 a 2026. SINAN/SVSA/MS; eSUS, atualizado em 27/04/2026.
- Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde (2013)
- The Lancet Infectious Diseases — “Hantavírus em Humanos: Uma Revisão dos Aspectos Clínicos e do Manejo” (2023)
- Frontiers in Microbiology — “Hantavírus: Uma Visão Geral e Avanços nas Abordagens Terapêuticas para a Infecção” (2023)
- Journal of Critical Care — “Manejo em Terapia Intensiva da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus” (2024)