Ebola: como acontece a transmissão e quais são os sintomas
O Ebola, anteriormente chamado de febre hemorrágica Ebola, é uma doença infecciosa grave que pode causar febre alta, dores no corpo e, nos casos mais graves, sangramentos em diferentes partes do organismo.
O vírus pode infectar seres humanos e alguns primatas, como macacos, gorilas e chimpanzés. A transmissão acontece pelo contato direto com sangue, secreções, tecidos ou outros fluidos corporais contaminados, além de objetos infectados.
O que é a Doença pelo Vírus Ebola?
A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é uma infecção grave causada por um vírus da família Filoviridae. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na África Central.
O Ebola pode afetar humanos e alguns animais, como macacos, chimpanzés e gorilas. A doença é considerada uma febre hemorrágica viral, porque nos casos mais graves pode provocar sangramentos e alterações na coagulação do sangue.
Apesar de ser uma doença grave, o Ebola não circula no Brasil e o risco para a população brasileira é considerado muito baixo. Os surtos acontecem principalmente em países da África Subsaariana.
Existem cinco tipos conhecidos do vírus Ebola. Quatro podem infectar seres humanos. O tipo Zaire é o mais letal e também o mais associado aos grandes surtos registrados nas últimas décadas.
A taxa de mortalidade varia conforme o surto, o acesso ao tratamento e o subtipo do vírus. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média histórica gira em torno de 50% dos casos.
Quais são os sintomas do Ebola?
Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após o contato com o vírus. Na maioria das pessoas, eles aparecem entre 5 e 10 dias depois da exposição.

Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre alta e súbita
- Dor de cabeça intensa
- Fraqueza e cansaço extremo
- Dores musculares
- Dor abdominal
- Diarreia
- Náuseas e vômitos
- Falta de apetite
- Dor ao engolir
Nos casos mais graves, podem ocorrer sangramentos pelo nariz, gengivas, vômitos com sangue ou manchas roxas na pele. Isso acontece porque o vírus interfere na coagulação do sangue e pode causar inflamação intensa em vários órgãos.
Sinais de alerta
Alguns sintomas indicam agravamento da doença e precisam de atendimento imediato:
- Sangramentos sem causa aparente
- Falta de ar
- Confusão mental
- Desmaios
- Pressão muito baixa
- Pele fria e pálida
- Pulso fraco
- Redução importante da urina
Como o Ebola é transmitido?
O Ebola não é considerado uma doença de transmissão aérea como a COVID-19 ou o sarampo.
A transmissão ocorre principalmente por contato direto com:
- Sangue
- Suor
- Saliva
- Urina
- Fezes
- Vômito
- Sêmen
- Outros fluidos corporais de pessoas infectadas
O contato com objetos contaminados, como roupas, lençóis e superfícies, também pode transmitir o vírus.
Os morcegos frugívoros são considerados o reservatório natural mais provável do Ebola. A infecção humana costuma começar após contato com animais silvestres infectados, como chimpanzés, gorilas e antílopes.
Depois disso, o vírus pode se espalhar de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes sem proteção adequada.
Principais fatores de risco
Algumas pessoas têm maior risco de exposição ao vírus Ebola:
- Viajantes para regiões com surtos ativos
- Profissionais de saúde
- Pesquisadores que trabalham com primatas
- Familiares que cuidam de pessoas infectadas
- Pessoas que participam de rituais fúnebres com contato direto com o corpo
No Brasil, o risco permanece extremamente baixo, já que não existem casos registrados da doença no país.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do Ebola é feito por exames laboratoriais específicos.
O principal teste utilizado é o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica o material genético do vírus no sangue ou em outros fluidos corporais.
Como os sintomas iniciais podem ser parecidos com os de doenças como dengue, malária, leptospirose e febre tifoide, o diagnóstico diferencial é muito importante.
No Brasil, casos suspeitos são encaminhados para laboratórios de referência, como o Instituto Evandro Chagas (IEC).
Um exame negativo no início dos sintomas não descarta totalmente a doença. Quando a suspeita permanece, o teste pode precisar ser repetido após algumas horas ou dias.
Como é o tratamento do Ebola?
Não existe uma cura única e definitiva para todos os tipos de Ebola. O tratamento é baseado principalmente em suporte intensivo e controle das complicações.
Os cuidados podem incluir:
- Hidratação com soro
- Controle da pressão arterial
- Oferta de oxigênio
- Correção de sais minerais no sangue
- Controle da febre e da dor
- Tratamento de infecções secundárias
Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de sobrevivência.
Dois anticorpos monoclonais já foram aprovados para casos causados pela cepa Zaire:
- REGN-EB3 (Inmazeb)
- mAb114 (Ebanga)
Esses medicamentos ajudaram a reduzir a mortalidade em estudos clínicos e são recomendados pela OMS quando disponíveis.
Possíveis complicações do Ebola
Nos casos graves, o Ebola pode afetar vários órgãos ao mesmo tempo.
As principais complicações incluem:
- Hemorragias intensas
- Falência dos rins
- Falência do fígado
- Choque circulatório
- Alterações graves da coagulação
- Infecções bacterianas secundárias
Os óbitos geralmente acontecem na segunda semana da doença, principalmente devido à queda grave da pressão arterial e falência de múltiplos órgãos.
Como o Ebola afeta a qualidade de vida?
A recuperação do Ebola pode ser longa e difícil.
Muitos sobreviventes continuam apresentando sintomas por meses, como:
- Fraqueza persistente
- Dores musculares
- Dores nas articulações
- Alterações na visão
- Sensibilidade à luz
- Perda auditiva
- Dificuldade de memória e concentração
O impacto emocional também pode ser importante. O isolamento durante o tratamento e o medo do estigma social podem afetar a saúde mental e a reintegração à rotina.
Alguns estudos também mostraram que o vírus pode permanecer no sêmen de homens sobreviventes por meses após a recuperação. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante mesmo após a melhora clínica.
Como prevenir o Ebola?
As principais medidas de prevenção incluem:
- Evitar contato com sangue e fluidos corporais de pessoas doentes
- Higienizar as mãos frequentemente
- Não manipular animais silvestres doentes ou mortos
- Evitar contato direto com corpos de pessoas infectadas
- Utilizar equipamentos de proteção individual em ambientes de saúde
Existe uma vacina contra a cepa Zaire do vírus Ebola chamada rVSV-ZEBOV. Ela demonstrou alta eficácia em surtos na África e é usada principalmente em estratégias de vacinação de contatos próximos e profissionais expostos.
A vacina não faz parte do calendário de vacinação no Brasil.
Perguntas frequentes sobre Ebola
O Ebola pode chegar ao Brasil?
Não existem casos registrados de Ebola no Brasil. O risco para a população brasileira é considerado baixo pelas autoridades de saúde.
O Ebola passa pelo ar?
Não. O Ebola não é considerado uma doença de transmissão aérea. O contágio ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.
Quanto tempo demora para aparecerem os sintomas?
Os sintomas podem surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.
O Ebola tem cura?
Não existe uma cura definitiva para todos os tipos de Ebola. Porém, o tratamento precoce aumenta muito as chances de sobrevivência.
Existe vacina contra Ebola?
Sim. Existe uma vacina eficaz contra a cepa Zaire do vírus Ebola, usada principalmente em situações de surto.
Quem sobrevive ao Ebola pode transmitir a doença?
Em alguns homens sobreviventes, o vírus pode permanecer no sêmen por meses após a recuperação. Por isso, o acompanhamento médico é recomendado.
Quanto tempo dura a doença?
O curso da doença costuma durar entre 8 e 10 dias. Casos graves podem evoluir rapidamente na segunda semana.
Fontes
- Deen GF et al. Persistence of Ebola virus in semen among Ebola virus disease survivors in Sierra Leone. PLOS Medicine. 2021.
- Ministério da Saúde do Brasil. Doença pelo Vírus Ebola — Informações técnicas. SVS/MS.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Ebola virus disease — Fact sheet. 2023.
- Muñoz-Fontela C et al. Ebola. N Engl J Med. 2020 May 6. DOI: 10.1056/NEJMra1901594.
- Portaria de Notificação Compulsória PRC n° 4, de 28 de setembro de 2017 (SVS/MS).
- Consenso n.º 9188/2014 do Superior Conselho de Saúde da Bélgica — Sinais de gravidade na DVE.
- Uyeki TM et al. Ebola Virus Persistence in Semen of Male Survivors. Clinical Infectious Diseases. 2016;62(12):1552–1555.
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