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Saúde de A-Z

Ebola: como acontece a transmissão e quais são os sintomas

O Ebola, anteriormente chamado de febre hemorrágica Ebola, é uma doença infecciosa grave que pode causar febre alta, dores...
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Helena Lopes
20, maio de 2026
12 minutos para ler
Ebola: como acontece a transmissão e quais são os sintomas

O Ebola, anteriormente chamado de febre hemorrágica Ebola, é uma doença infecciosa grave que pode causar febre alta, dores no corpo e, nos casos mais graves, sangramentos em diferentes partes do organismo.

O vírus pode infectar seres humanos e alguns primatas, como macacos, gorilas e chimpanzés. A transmissão acontece pelo contato direto com sangue, secreções, tecidos ou outros fluidos corporais contaminados, além de objetos infectados.

O que é a Doença pelo Vírus Ebola?

A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é uma infecção grave causada por um vírus da família Filoviridae. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na África Central.

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O Ebola pode afetar humanos e alguns animais, como macacos, chimpanzés e gorilas. A doença é considerada uma febre hemorrágica viral, porque nos casos mais graves pode provocar sangramentos e alterações na coagulação do sangue.

Apesar de ser uma doença grave, o Ebola não circula no Brasil e o risco para a população brasileira é considerado muito baixo. Os surtos acontecem principalmente em países da África Subsaariana.

Existem cinco tipos conhecidos do vírus Ebola. Quatro podem infectar seres humanos. O tipo Zaire é o mais letal e também o mais associado aos grandes surtos registrados nas últimas décadas.

A taxa de mortalidade varia conforme o surto, o acesso ao tratamento e o subtipo do vírus. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média histórica gira em torno de 50% dos casos.

Quais são os sintomas do Ebola?

Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após o contato com o vírus. Na maioria das pessoas, eles aparecem entre 5 e 10 dias depois da exposição.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Febre alta e súbita
  • Dor de cabeça intensa
  • Fraqueza e cansaço extremo
  • Dores musculares
  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Náuseas e vômitos
  • Falta de apetite
  • Dor ao engolir

Nos casos mais graves, podem ocorrer sangramentos pelo nariz, gengivas, vômitos com sangue ou manchas roxas na pele. Isso acontece porque o vírus interfere na coagulação do sangue e pode causar inflamação intensa em vários órgãos.

Sinais de alerta

Alguns sintomas indicam agravamento da doença e precisam de atendimento imediato:

  • Sangramentos sem causa aparente
  • Falta de ar
  • Confusão mental
  • Desmaios
  • Pressão muito baixa
  • Pele fria e pálida
  • Pulso fraco
  • Redução importante da urina

Como o Ebola é transmitido?

O Ebola não é considerado uma doença de transmissão aérea como a COVID-19 ou o sarampo.

A transmissão ocorre principalmente por contato direto com:

  • Sangue
  • Suor
  • Saliva
  • Urina
  • Fezes
  • Vômito
  • Sêmen
  • Outros fluidos corporais de pessoas infectadas

O contato com objetos contaminados, como roupas, lençóis e superfícies, também pode transmitir o vírus.

Os morcegos frugívoros são considerados o reservatório natural mais provável do Ebola. A infecção humana costuma começar após contato com animais silvestres infectados, como chimpanzés, gorilas e antílopes.

Depois disso, o vírus pode se espalhar de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes sem proteção adequada.

Principais fatores de risco

Algumas pessoas têm maior risco de exposição ao vírus Ebola:

  • Viajantes para regiões com surtos ativos
  • Profissionais de saúde
  • Pesquisadores que trabalham com primatas
  • Familiares que cuidam de pessoas infectadas
  • Pessoas que participam de rituais fúnebres com contato direto com o corpo

No Brasil, o risco permanece extremamente baixo, já que não existem casos registrados da doença no país.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do Ebola é feito por exames laboratoriais específicos.

O principal teste utilizado é o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica o material genético do vírus no sangue ou em outros fluidos corporais.

Como os sintomas iniciais podem ser parecidos com os de doenças como dengue, malária, leptospirose e febre tifoide, o diagnóstico diferencial é muito importante.

No Brasil, casos suspeitos são encaminhados para laboratórios de referência, como o Instituto Evandro Chagas (IEC).

Um exame negativo no início dos sintomas não descarta totalmente a doença. Quando a suspeita permanece, o teste pode precisar ser repetido após algumas horas ou dias.

Como é o tratamento do Ebola?

Não existe uma cura única e definitiva para todos os tipos de Ebola. O tratamento é baseado principalmente em suporte intensivo e controle das complicações.

Os cuidados podem incluir:

  • Hidratação com soro
  • Controle da pressão arterial
  • Oferta de oxigênio
  • Correção de sais minerais no sangue
  • Controle da febre e da dor
  • Tratamento de infecções secundárias

Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de sobrevivência.

Dois anticorpos monoclonais já foram aprovados para casos causados pela cepa Zaire:

  • REGN-EB3 (Inmazeb)
  • mAb114 (Ebanga)

Esses medicamentos ajudaram a reduzir a mortalidade em estudos clínicos e são recomendados pela OMS quando disponíveis.

Possíveis complicações do Ebola

Nos casos graves, o Ebola pode afetar vários órgãos ao mesmo tempo.

As principais complicações incluem:

  • Hemorragias intensas
  • Falência dos rins
  • Falência do fígado
  • Choque circulatório
  • Alterações graves da coagulação
  • Infecções bacterianas secundárias

Os óbitos geralmente acontecem na segunda semana da doença, principalmente devido à queda grave da pressão arterial e falência de múltiplos órgãos.

Como o Ebola afeta a qualidade de vida?

A recuperação do Ebola pode ser longa e difícil.

Muitos sobreviventes continuam apresentando sintomas por meses, como:

  • Fraqueza persistente
  • Dores musculares
  • Dores nas articulações
  • Alterações na visão
  • Sensibilidade à luz
  • Perda auditiva
  • Dificuldade de memória e concentração

O impacto emocional também pode ser importante. O isolamento durante o tratamento e o medo do estigma social podem afetar a saúde mental e a reintegração à rotina.

Alguns estudos também mostraram que o vírus pode permanecer no sêmen de homens sobreviventes por meses após a recuperação. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante mesmo após a melhora clínica.

Como prevenir o Ebola?

As principais medidas de prevenção incluem:

  • Evitar contato com sangue e fluidos corporais de pessoas doentes
  • Higienizar as mãos frequentemente
  • Não manipular animais silvestres doentes ou mortos
  • Evitar contato direto com corpos de pessoas infectadas
  • Utilizar equipamentos de proteção individual em ambientes de saúde

Existe uma vacina contra a cepa Zaire do vírus Ebola chamada rVSV-ZEBOV. Ela demonstrou alta eficácia em surtos na África e é usada principalmente em estratégias de vacinação de contatos próximos e profissionais expostos.

A vacina não faz parte do calendário de vacinação no Brasil.

Perguntas frequentes sobre Ebola

O Ebola pode chegar ao Brasil?

Não existem casos registrados de Ebola no Brasil. O risco para a população brasileira é considerado baixo pelas autoridades de saúde.

O Ebola passa pelo ar?

Não. O Ebola não é considerado uma doença de transmissão aérea. O contágio ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.

Quanto tempo demora para aparecerem os sintomas?

Os sintomas podem surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

O Ebola tem cura?

Não existe uma cura definitiva para todos os tipos de Ebola. Porém, o tratamento precoce aumenta muito as chances de sobrevivência.

Existe vacina contra Ebola?

Sim. Existe uma vacina eficaz contra a cepa Zaire do vírus Ebola, usada principalmente em situações de surto.

Quem sobrevive ao Ebola pode transmitir a doença?

Em alguns homens sobreviventes, o vírus pode permanecer no sêmen por meses após a recuperação. Por isso, o acompanhamento médico é recomendado.

Quanto tempo dura a doença?

O curso da doença costuma durar entre 8 e 10 dias. Casos graves podem evoluir rapidamente na segunda semana.

Fontes

  • Deen GF et al. Persistence of Ebola virus in semen among Ebola virus disease survivors in Sierra Leone. PLOS Medicine. 2021.
  • Ministério da Saúde do Brasil. Doença pelo Vírus Ebola — Informações técnicas. SVS/MS.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Ebola virus disease — Fact sheet. 2023.
  • Muñoz-Fontela C et al. Ebola. N Engl J Med. 2020 May 6. DOI: 10.1056/NEJMra1901594.
  • Portaria de Notificação Compulsória PRC n° 4, de 28 de setembro de 2017 (SVS/MS).
  • Consenso n.º 9188/2014 do Superior Conselho de Saúde da Bélgica — Sinais de gravidade na DVE.
  • Uyeki TM et al. Ebola Virus Persistence in Semen of Male Survivors. Clinical Infectious Diseases. 2016;62(12):1552–1555.

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Helena Lopes

Técnica de enfermagem formada pela Cruz Vermelha Brasileira, com experiência em saúde preventiva, acompanhamento de pacientes e cuidados pós-operatórios. Hoje, ela dedica seu trabalho à criação de conteúdo e ao aprofundamento em estudos científicos sobre saúde e bem-estar, tornando temas médicos complexos mais simples e acessíveis para a população.
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