Secura vaginal após a menopausa: como reduzir o ressecamento
A secura vaginal é um dos sintomas mais comuns da menopausa e do período que antecede e sucede essa fase, o climatério. Cerca de metade das mulheres na pós-menopausa apresenta algum grau de ressecamento, ardor ou desconforto na região íntima, segundo revisão publicada em 2025 na revista científica Climacteric.
Apesar de ser tão frequente, ainda é um tema pouco conversado, muitas mulheres convivem com o desconforto por anos sem saber que existem várias formas de tratamento. Neste conteúdo você vai entender por que isso acontece, como reconhecer os sinais e quais caminhos podem ser discutidos com o ginecologista.
O que é a secura vaginal na menopausa
A secura vaginal na menopausa faz parte de um quadro chamado síndrome geniturinária da menopausa, que reúne um conjunto de alterações nos tecidos da vagina e das vias urinárias causadas pela queda do estrogênio. Na prática, isso significa que a parede vaginal fica mais fina, menos elástica e produz menos lubrificação natural.
O estrogênio é o hormônio responsável por manter esses tecidos espessos, hidratados e bem irrigados. Quando sua produção cai, o que ocorre de forma natural ao longo do climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, a mucosa vaginal perde parte dessa proteção.
Sintomas mais comuns
O ressecamento costuma vir acompanhado de outros sinais na região genital e urinária, entre eles:
- ardência ou sensação de queimação;
- coceira;
- dor durante a relação sexual (dispareunia);
- sangramento leve após o contato íntimo;
- maior sensibilidade a irritações e infecções urinárias ou vaginais;
- vontade frequente de urinar ou sensação de urgência.
Esses sintomas podem aparecer de forma isolada ou combinada, e tendem a se intensificar com o tempo se não forem tratados, já que a queda do estrogênio é progressiva ao longo da pós-menopausa.
Por que a secura vaginal acontece na menopausa
A principal causa é a redução dos níveis de estrogênio, hormônio que perde grande parte de sua produção com o fim da atividade ovariana. Sem esse estímulo, os tecidos vaginais ficam mais finos, secos e menos elásticos — um processo conhecido tecnicamente como atrofia vulvovaginal.
Vale destacar que esse mesmo mecanismo hormonal pode se manifestar em outros momentos da vida da mulher, e não apenas na menopausa — inclusive na perimenopausa, fase de transição que já traz flutuações hormonais importantes. Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e a literatura médica mais recente, o ressecamento vaginal também pode estar relacionado a:
- amamentação, período em que os níveis de estrogênio também caem temporariamente;
- uso de anticoncepcionais ou medicamentos antiestrogênicos;
- tratamentos com quimioterapia ou inibidores de aromatase (usados, por exemplo, no tratamento de alguns tipos de câncer de mama);
- alguns medicamentos para alergia, depressão, psicose ou incontinência urinária;
- cirurgias que afetam o sistema reprodutivo, como a histerectomia;
- tabagismo;
- estresse e ansiedade;
- uso de sabonetes perfumados, duchas íntimas ou sprays na região genital;
- redução da atividade sexual regular, já que ela também favorece a circulação sanguínea na vagina.
Como é feito o diagnóstico
Antes de confirmar que o quadro é atrofia vulvovaginal ligada à menopausa, o ginecologista geralmente investiga e descarta outras causas de sintomas parecidos, como candidíase, vaginose bacteriana ou líquen escleroso — condições que também cursam com ardor, coceira, alterações no corrimento vaginal ou desconforto, mas exigem tratamentos diferentes.
A avaliação costuma incluir a conversa sobre o histórico de sintomas, o exame ginecológico e, quando necessário, exames complementares para afastar infecções. Esse cuidado é importante justamente para que o tratamento indicado seja o mais adequado para cada caso.
Tratamentos disponíveis

Existem diferentes abordagens para o ressecamento vaginal, e a escolha depende da intensidade dos sintomas, do histórico de saúde da mulher e de eventuais contraindicações. Em todos os casos, a decisão deve ser conversada com um profissional.
Hidratantes e lubrificantes vaginais
Essas opções, sem hormônios, costumam ser a primeira escolha, especialmente em quadros leves a moderados ou quando há contraindicação ao uso de hormônios — como no caso de mulheres que tiveram câncer de mama. Os lubrificantes ajudam no momento da relação sexual, enquanto os hidratantes de uso regular contribuem para restaurar a umidade natural do tecido vaginal ao longo do tempo.
Um estudo randomizado publicado em 2022 na revista PLoS One mostrou que um creme hidratante vaginal sem hormônio teve resultado equivalente ao de um creme de estriol (hormonal) na redução do ressecamento e da dor durante a relação. Por outro lado, um ensaio clínico publicado em 2018 na JAMA Internal Medicine não encontrou diferença significativa entre hidratante vaginal, comprimido de estrogênio vaginal e placebo — o que sugere que parte do alívio percebido pode vir do próprio ato de hidratar a região, independentemente do hormônio. Esse achado reforça que os hidratantes são uma alternativa segura e válida para começar o tratamento.
Tratamentos hormonais locais
Quando os hidratantes não são suficientes, o médico pode considerar opções hormonais aplicadas diretamente na vagina, em doses bem menores do que as usadas na reposição hormonal para todo o corpo. Entre elas estão cremes, comprimidos ou anéis vaginais de estrogênio em baixa dose, que trazem melhora dos sintomas em boa parte das mulheres, com bom perfil de segurança quando acompanhados pelo médico. Efeitos como corrimento, candidíase ou pequeno sangramento vaginal podem ocorrer e devem ser relatados ao profissional.
Outra possibilidade avaliada por estudos recentes é o uso de DHEA vaginal (prasterona), um hormônio que atua localmente e tem mostrado bons resultados na redução da dor durante a relação sexual, segundo revisões publicadas na Annals of Internal Medicine e na JAMA em anos recentes.
Ospemifeno
O ospemifeno é um medicamento oral não hormonal, de uma classe chamada moduladores seletivos do receptor de estrogênio, aprovado para tratar o ressecamento e a dor na relação sexual quando esses sintomas são moderados a graves. Como qualquer medicamento, tem efeitos possíveis — entre eles, sintomas vasomotores como ondas de calor — e sua indicação deve ser avaliada individualmente pelo médico.
Terapia de reposição hormonal sistêmica
Para mulheres com outros sintomas da menopausa além da secura vaginal, como ondas de calor intensas, a reposição hormonal para o corpo todo pode ser discutida com o ginecologista ou endocrinologista, que vai pesar benefícios e riscos conforme o histórico pessoal. Em mulheres mais velhas, critérios geriátricos internacionais recomendam priorizar os tratamentos vaginais locais em vez da reposição sistêmica, sempre que possível.
Fisioterapia do assoalho pélvico
Essa especialidade cuida da musculatura que sustenta bexiga, intestino, útero e vagina. Um fisioterapeuta especializado pode ajudar a melhorar a lubrificação, a circulação local e o conforto durante a relação sexual, com técnicas específicas para essa fase da vida.
Hábitos que ajudam a reduzir o desconforto
Algumas mudanças simples no dia a dia também contribuem para a saúde vaginal:
- manter atividade física regular e alimentação equilibrada;
- evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebida alcoólica;
- preferir sabonetes neutros e evitar duchas ou sprays íntimos;
- manter a vida sexual ativa, com ou sem parceria, o que favorece a circulação sanguínea na região;
- usar lubrificante durante o sexo sempre que sentir desconforto.
Possíveis complicações
Quando não tratada, a secura vaginal tende a piorar com o tempo e pode trazer consequências que vão além do desconforto físico. A dor na relação sexual pode levar à redução do desejo e afetar a intimidade do casal, e a fragilidade dos tecidos aumenta a chance de pequenas fissuras, infecções urinárias e vaginais de repetição. Por isso, buscar orientação médica logo nos primeiros sinais evita que o quadro se agrave.
Quando procurar atendimento médico
Vale marcar uma consulta com o ginecologista sempre que houver:
- ressecamento, ardor ou coceira frequentes na região íntima;
- dor durante ou depois da relação sexual;
- sangramento fora do período menstrual ou após o sexo;
- infecções urinárias ou vaginais que se repetem;
- qualquer dúvida sobre as opções de tratamento disponíveis.
Não é preciso esperar que os sintomas piorem para buscar ajuda, quanto antes o tratamento começa, mais rápido costuma vir o alívio.
Perguntas frequentes
A secura vaginal na menopausa tem cura?
Não existe uma “cura” no sentido de reverter a queda hormonal natural da menopausa, mas os sintomas podem ser bem controlados com hidratantes, lubrificantes ou tratamentos hormonais locais indicados pelo médico, trazendo alívio significativo para a maioria das mulheres.
Hidratante vaginal e lubrificante são a mesma coisa?
Não. O lubrificante é usado no momento da relação sexual para reduzir o atrito. O hidratante é de uso regular e ajuda a manter a umidade do tecido vaginal ao longo do tempo, independentemente da atividade sexual.
É preciso usar hormônio para tratar a secura vaginal?
Não necessariamente. Muitas mulheres apresentam boa resposta com hidratantes e lubrificantes sem hormônio, que costumam ser a primeira opção. O uso de hormônios locais ou sistêmicos é considerado quando esses recursos não trazem alívio suficiente, sempre com orientação médica.
Secura vaginal pode causar infecção urinária?
Pode contribuir, já que a fragilidade dos tecidos e as alterações na flora vaginal aumentam a chance de infecções urinárias e vaginais de repetição nessa fase.
Quem já teve câncer de mama pode tratar a secura vaginal?
Sim, existem opções específicas para esse grupo, geralmente priorizando hidratantes e lubrificantes não hormonais. Qualquer tratamento adicional deve ser discutido entre o ginecologista e o oncologista responsável pelo acompanhamento.
Fontes
- Crandall CJ. Tratamento da atrofia vulvovaginal. JAMA, 2019.
- Danan ER, Sowerby C, Ullman KE, et al. Tratamentos hormonais e hidratantes vaginais para a síndrome geniturinária da menopausa: revisão sistemática. Annals of Internal Medicine, 2024.
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)
- Ministério da Saúde
- NHS — Vaginal dryness
- ACOG — Vulvovaginal health
[…] secura vaginal e outras disfunções sexuais, como redução do desejo ou dores durante as relações; […]
Não tenho útero fiz histerectomia total a 25anos
Tenho secura vaginal e ardência e coceira vaginal
Sempre uso pomada vaginal
Mas os sintomas volta o que fazer e não tenho libido
Tenho 68 anos fiz laqueada com 27 anos, tenho dois filhos, ultimamente estou com secura vaginal e não sinto desejo. Fico preocupada, meu marido tem 74 anos tem muito gás kkkk, agora estou usando estriol, mas sinto um desconforto na parte pélvica, eu pergunto se isso é normal ou anormal.
Gostaria de obter uma resposta sobre secura vaginal e qual remédio resolve essa situação!
[…] especialmente após a menopausa, esse quadro é conhecido como secura vaginal. Muitas vezes a paciente não comenta, e sempre precisamos perguntar. A mulher menopausada pode […]
[…] Como o nome sugere, a pomada vaginal é um medicamento aplicado diretamente na vagina. É comumente usada para aliviar os sintomas associados às infecções (como vaginose bacteriana e candidíase), coceiras, irritações e secura vaginal. […]
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Olá bom dia eu gostaria de saber sobre a relação sexual pela primeira vez após os 50 pois penso em me casar que eu estou conhecendo um parceiro pois tenho problema depressivo tomo medicamentos e meu problema emocional abalado no caso se eu casar o que fazer ?e gostaria de saber se o óleo de coco serve de lubrificação