Diferenças da ciclotimia e outras condições de saúde mental

Enquanto o transtorno bipolar é bem mais conhecido, a ciclotimia, por outro lado, acaba recebendo bem menos atenção.
Na prática, o transtorno ciclotímico é uma espécie de subtipo da bipolaridade, marcado por sintomas relativamente mais leves, mas que se sustentam por períodos mais longos.
As características que definem o transtorno ciclotímico
A bipolaridade, não custa lembrar, é um distúrbio mental em que se oscila nos extremos: humor deprimido e intervalos de euforia, variando dentro de semanas ou meses.
Já a ciclotimia é notada quando a pessoa atravessa um período de no mínimo dois anos alternando entre a chamada hipomania (uma mania “reduzida”, em outras palavras) e manifestações depressivas não suficientes para categorizar um quadro de depressão característico.
Em resumo, embora incômodos e capazes de causar implicações em diferentes esferas da vida, eles não reúnem a totalidade dos sinais elementares da desordem bipolar.
Quem costuma ser atingido pela ciclotimia
Pessoas de ambos os sexos, e de variadas idades – sejam crianças ou adultos – podem desenvolver uma disfunção ciclotímica ao longo da vida.
Contudo, esse é um diagnóstico relativamente raro. Estima-se que ele afete menos de 1% de toda a população, ainda que isso possa variar para cima ou para indicadores ainda mais baixos.
Parte disso se deve, talvez, ao fato de que muitos casos são enquadrados como alterações depressivas e bipolares “convencionais”.
Em geral, um percentual dos portadores de ciclotimia evolui para um transtorno bipolar em determinada etapa da vida.
Os principais sintomas dentro das suas fases
Cada ciclo conta com modificações específicas, que nem sempre são tão nítidas para quem olha de fora, sobretudo por seu caráter mais sutil.
Além disso, mesmo que muitas vezes haja comprometimento no dia a dia e prejuízo ao bem-estar, o indivíduo afetado é capaz de seguir em frente.
Hipomania
“Hipo” é um termo em grego que oferece a ideia de que algo está faltando ou é menor. É utilizado em diversas condições de saúde.
Desse modo, a hipomania configura um grau de manifestação dos sintomas diminuído. De qualquer forma, incluem:
- expansão da energia e da agitação;
- otimismo exagerado;
- autoestima inflada;
- aumento da atividade, em múltiplos contextos;
- redução da necessidade de sono;
- foco disperso.
Se em um episódio maníaco convencional existe uma profunda ruptura individual (com todos aqueles –ou com tudo aquilo – ao redor) exigindo intervenção urgente constantemente, no distúrbio ciclotímico isso não se faz presente.

lterações depressivas
Já nos períodos de rebaixamento do ânimo, os sintomas são similares ao que é chamado pelos especialistas de transtorno depressivo maior. No entanto, a abrangência, a duração e a intensidade são insuficientes para fazer jus a esse diagnóstico. Seja como for, a lista de perturbações inclui:
- tristeza, desesperança ou sensação de vazio;
- choro frequente;
- irritabilidade (principalmente em crianças);
- perda de interesse em atividades antes agradáveis;
- emagrecimento ou ganho de peso não intencionais;
- dificuldade para dormir;
- fadiga;
- pensamentos sobre a própria morte.
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O processo de identificação da ciclotimia
A natureza mais atenuada das queixas pode causar uma demora para buscar ajuda profissional, em especial nos intervalos de hipomania. Logo, os sintomas depressivos geralmente são o principal motivador na busca por suporte qualificado.
Similarmente, é um desafio para aqueles próximos notar uma disfunção a ponto de se tornar uma preocupação (o que raramente acontece no transtorno bipolar, causador de impactos maiores no cotidiano).
Porém, cabe aos psicólogos e psiquiatras avaliar quem apresenta os traços comportamentais característicos para entender inteiramente a situação.
O diagnóstico se baseia quase que exclusivamente na conversa entre profissionais e pessoas atendidas. A exceção é se um exame precisa ser feito para descartar outra explicação para as alterações.
Durante a avaliação, a tarefa dos especialistas de saúde mental é distinguir se as queixas são realmente compatíveis com a ciclotimia ou já estão na alçada de uma categoria de depressão (a distimia, por exemplo, uma falta de ânimo “leve” e crônica) ou do transtorno bipolar.
Entram na conta a sequência de alternâncias, a duração de cada ciclo e as consequências que eles geraram nas mais variadas dimensões (trabalho, família, relacionamentos etc.).
As abordagens mais utilizadas para um tratamento apropriado
A atenção à ciclotimia, em um primeiro momento, pode ser feita com apoio da psicoterapia. O objetivo das sessões é dar ferramentas que permitam uma boa compreensão das oscilações e dos seus desdobramentos no dia a dia.
Terapias em grupo também desempenham um papel relevante. Elas são espaços em que se compartilham experiências e obtêm-se novas dicas e sugestões de como levar a vida da melhor maneira possível.
O psiquiatra responsável pelo acompanhamento pode ponderar a prescrição dos medicamentos apropriados para ajudar na recuperação. Estabilizadores de humor são os mais utilizados, mas em diversos cenários não são necessários.
Adicionalmente, medidas que promovem hábitos saudáveis e limitam os prejuízos do quadro depressivo ou da hipomania são recomendadas. Elas envolvem a adoção de uma rotina planejada, o sono adequado, a prática de exercícios físicos e a restrição a substâncias estimulantes (como álcool e cafeína).
Por fim, a manutenção do tratamento da ciclotimia pelo tempo necessário colabora para reduzir e consolidar o controle da maioria dos sintomas. Acima de tudo, isso previne a progressão para o transtorno bipolar.
Fontes:
[…] raras exceções, essas variações não ocorrem de maneira brusca ou repentina. Similarmente, a ciclotimia (uma forma “leve” de TAB) pode causar oscilações tão sutis que são confundidas com […]