Como proteger o corpo do estresse térmico nos dias quentes

Para muita gente, o período mais quente do ano é o mais propício para a prática de diversas formas de lazer. No entanto, ao programar qualquer atividade em dias ensolarados é preciso considerar como o aquecimento pode gerar risco à saúde devido ao chamado estresse térmico.
Esse estado é definido como o mal-estar que faz com que o organismo perca a capacidade de controlar a temperatura interna, ocasionando complicações potencialmente sérias.
A reação corporal ao calor excessivo
Não é só impressão: climas que fazem os termômetros subirem muito vêm se tornando mais comuns. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, 2024 foi, na média, o ano mais quente no Brasil desde 1961.
Em muitas regiões, vem sendo frequente experimentar marcas que superam os 30 graus e encostam nos 35 em estações como a primavera e o verão.
Dias e noites seguidos de calor exigem bastante do corpo, que conduz ajustes para tentar manter a temperatura interna em equilíbrio. Vale lembrar que uma pessoa saudável marca no termômetro aproximadamente 36,5º C. Números acima ou abaixo disso talvez signifiquem que algo não vai bem.
Não por menos, diante do calorão, a expectativa é de que haja um aumento da eliminação de suor. Através da liberação e evaporação do líquido há um balanceamento do desconforto sentido naquele momento.
Ao mesmo tempo, os vasos sanguíneos se dilatam para tentar agilizar o resfriamento. Com isso, a pressão arterial cai, causando tontura e até desmaios.
Lentamente, a perda excessiva de líquidos desencadeia a desidratação, acompanhada da deficiência de sais minerais (como o sódio) essenciais ao funcionamento do organismo.
Além disso, já nesse estágio, o sangue perde fluidos e fica mais espesso. Essa consequência negativa intensifica a força dos batimentos do coração para bombear o líquido, ampliando a chance de disfunções cardiovasculares principalmente entre aqueles com diagnóstico prévio, o que demanda o acompanhamento de um cardiologista.
Por fim, o Ministério da Saúde aponta como tal desconforto afeta a saúde mental, acentuando sintomas depressivos, ansiosos e a irritabilidade (com mais episódios de violência, inclusive).

A relação do estresse térmico com a atividade profissional
Em situações cotidianas, crianças e idosos são os grupos mais propensos a apresentar alterações devido ao superaquecimento. Nessas fases da vida, características individuais tornam mais difícil contornar o calor (pessoas mais velhas sentem menos sede, por exemplo).
As condições de trabalho também estão entre os fatores que precisam entrar nesta equação. Profissionais alocados ao ar livre, em ambientes sem a devida refrigeração, que necessitam utilizar muitos equipamentos de proteção ou que atuem realizando esforço físico intenso estão sob grande perigo durante o exercício profissional.
Adicionalmente, o mormaço acelera o desgaste físico, reduzindo a eficiência e a produtividade. Conjuntamente, o esgotamento aumenta a probabilidade de acidentes e prejudica a qualidade de vida como um todo.
Sinais de atenção para o estresse térmico
A dimensão dos sintomas notados por alguém que está tendo dificuldade em lidar com o calor vai variar conforme cada pessoa, bem como do ambiente em que ela está. De qualquer forma, as queixas mais nítidas costumam ser:
- alta da temperatura corporal (o que recebe o nome de hipertermia);
- pele seca (sinal de que a transpiração foi interrompida), com tom avermelhado ou pálido, também quente;
- respiração e pulso acelerados graças à disparada do músculo cardíaco;
- sede persistente;
- urina de cor escura e em quantidade reduzida;
- irritação, confusão mental e sensação de desmaio;
- visão borrada, vertigens e náuseas.
Em nenhuma hipótese é preciso esperar o aparecimento de toda essa lista de disfunções para suspeitar que existe algo de errado.
Geralmente, os desequilíbrios iniciais são sutis e vão piorando à medida que a desidratação e os demais fatores associados à exaustão térmica não são revertidos.
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Insolação e golpe de calor
Esses são dois termos que andam lado a lado com o estresse térmico, mas dizem respeito a circunstâncias ligeiramente diferentes.
Em resumo, a insolação é causada pela exposição desprotegida à luz solar em dias muito quentes. É o que acontece com quem visita praias e piscinas ou permanece ao ar livre.
Já o golpe de calor (conhecido ainda como intermação) é um avanço do estágio da sobrecarga térmica em que o corpo apresenta um agravamento dos sintomas, colocando em risco o bem-estar e configurando uma emergência médica.
Principais recomendações para reduzir o impacto do calor

Entidades como a Organização Mundial de Saúde ressaltam a importância de medidas viáveis para prevenir as consequências do estresse térmico. Elas incluem:
- evitar ficar em áreas externas nas horas mais quentes do dia (da hora do almoço até o meio da tarde), dando preferência a espaços sombreados, o que ameniza a sensação térmica em vários graus;
- deixar os exercícios físicos para serem realizados nos horários mais frescos ou suspender a atividade em caso de calor mais acentuado;
- proteger o interior de casa da luz solar nos intervalos em que ela é mais intensa e ligar ventiladores e aparelhos de ar-condicionado para refrescar os cômodos dentro do possível;
- usar roupas leves e ventiladas, preferencialmente com cores claras;
- borrifar água sobre a pele;
- tomar banhos frios para resfriar o corpo;
- beber água regularmente, alcançando a ingestão de no mínimo dois ou três litros por dia (chás, sucos, água de coco e isotônicos são complementos);
- reduzir o consumo de substâncias que aceleram a desidratação, como cafeína e álcool;
- optar por refeições leves, sem condimentos e gordura em excesso e privilegiando frutas, legumes e verduras in natura;
- manter cuidado redobrado com grupos mais vulneráveis (idosos e crianças) em que os sinais de alerta demoram para aparecer.
Adicionalmente, as autoridades locais podem fornecer determinações específicas sobre qual a melhor maneira de lidar com a temperatura desagradável e resguardar a integridade física pelo tempo que for preciso.
No estado de São Paulo, a Defesa Civil e o Centro de Gerenciamento de Emergências emitem alertas quando os termômetros disparam. Esses comunicados são úteis para planejar a rotina e atenuar os efeitos do estresse térmico até o calor ir embora.
Fontes:
[…] bruscas de temperatura, exposição excessiva ao calor (estresse térmico) ou ao frio e ambientes com climatização inadequada levam à contratura dos músculos do couro […]