Candidíase: 7 causas comuns e como tratar cada tipo
A candidíase é uma infecção causada por um fungo que já vive naturalmente no nosso corpo, o que a torna uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ginecologia, urologia e atenção primária à saúde. Ela pode se manifestar em diferentes partes do corpo, na boca, na pele, nos órgãos genitais e, em casos bem mais raros, de forma sistêmica.
Na maioria das vezes, o quadro é incômodo, mas responde bem ao tratamento. Ainda assim, quando os sintomas voltam com frequência ou pioram, entender os sinais, as formas de transmissão e os cuidados disponíveis ajuda a buscar o atendimento certo no momento certo.
O que é a candidíase
Infecção fúngica desencadeada pela proliferação desregulada da levedura Candida. Esse fungo é parte natural da microbiota da pele, das mucosas e do trato gastrointestinal e não causa nenhum problema enquanto está em equilíbrio.
Ele pode se tornar patogênico diante de fatores como:
- uso prolongado de antibióticos;
- imunidade baixa;
- alterações hormonais (gravidez, anticoncepcionais);
- higiene íntima inadequada ou excessiva;
- roupas apertadas e tecidos sintéticos;
- diabetes descontrolado;
- dieta rica em açúcares.
Existem cerca de 200 espécies desse microrganismo, mas em torno de 90% dos casos são causados pela Candida albicans.
Os quadros variam de leves a mais extensos. A forma mais rara e mais séria, a candidíase disseminada, é explicada mais adiante e costuma exigir internação.
Principais tipos de candidíase e seus sintomas
Ainda que seja mais comum entre mulheres, a candidíase também afeta homens e crianças. Os tipos são classificados pelo local onde o fungo se prolifera e pelas manifestações que causa.
Candidíase vaginal
É a forma mais comum entre as mulheres: estima-se que cerca de 75% delas tenham pelo menos um episódio de candidíase vulvovaginal ao longo da vida.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- corrimento esbranquiçado e espesso;
- coceira intensa;
- ardência ao urinar;
- vermelhidão e inchaço na região genital.
O diagnóstico é feito por um especialista em ginecologia por meio de exame clínico e coleta de secreção; em casos recorrentes, pode ser solicitada cultura fúngica. O médico pode indicar antifúngico oral ou creme vaginal, sempre conforme a avaliação individual.
Candidíase oral (sapinho)

Se manifesta na cavidade bucal e é mais frequente em bebês, pessoas idosas e pessoas com imunidade comprometida, causando:
- placas brancas na língua, no palato e nas bochechas, que costumam sair ao raspar de leve;
- dor ao engolir;
- sensação de queimação;
- fissuras nos cantos da boca (queilite angular), em alguns casos.
Nem sempre aparece como placas brancas: existe também uma forma mais avermelhada e sem lesões visíveis, que pode passar despercebida e exige mais atenção do profissional para o diagnóstico. Em geral, o diagnóstico é clínico, feito por dentista ou clínico geral. Dependendo da gravidade, o tratamento pode envolver antifúngico tópico (nistatina) ou oral (fluconazol).
Candidíase no pênis
Afeta a glande e o prepúcio, podendo causar vermelhidão, coceira, descamação e dor ao urinar. Segundo revisão publicada na Revista JRG, é mais comum em homens com baixa higiene íntima, diabetes ou após relação sexual desprotegida com parceira com candidíase ativa. O tratamento costuma ser parecido com o da forma vaginal, e o urologista ou o clínico geral são os profissionais mais indicados para a avaliação.
Candidíase cutânea
Surge em áreas quentes e úmidas do corpo, como axilas, virilha, embaixo dos seios e entre os dedos, com lesões avermelhadas, coceira e descamação. Em bebês, é uma das causas de assadura persistente na região das fraldas. Cremes antifúngicos costumam resolver o quadro, mas vale confirmar o diagnóstico com um dermatologista (ou pediatra, no caso dos bebês), já que outras condições de pele causam sintomas parecidos.
Candidíase mamilar
Aparece em mães que estão amamentando, principalmente quando há fissuras no mamilo, e pode causar dor intensa e ser transmitida ao bebê durante a amamentação. O ginecologista, o obstetra ou o pediatra da criança avaliam a situação e orientam o uso de pomadas antifúngicas e ajustes na pega da mama.
Candidíase do esôfago
Forma mais grave, geralmente associada a pessoas imunossuprimidas (por HIV/aids, câncer ou uso de imunossupressores). Causa desconforto para engolir, perda de peso e lesões visíveis por endoscopia, com confirmação por biópsia quando necessário. O acompanhamento é feito por gastroenterologista ou otorrinolaringologista, sobretudo quando há suspeita de envolvimento da garganta, com tratamento sistêmico por antifúngico oral ou intravenoso.
Candidíase de repetição
Quando os episódios (geralmente de candidíase vaginal) voltam quatro ou mais vezes em um ano, fala-se em candidíase de repetição ou recorrente. Isso costuma estar ligado a fatores como diabetes não controlado, uso repetido de antibióticos, alterações hormonais ou uma predisposição individual à colonização pelo fungo. Nesses casos, o tratamento tende a ser mais prolongado, e pode ser necessário investigar a causa de base, por isso o acompanhamento com ginecologista (ou urologista, no caso dos homens) é importante para ajustar a estratégia de forma individualizada.
Quando procurar atendimento médico
Vale buscar avaliação médica sempre que os sintomas aparecerem pela primeira vez, para confirmar o diagnóstico antes de iniciar qualquer tratamento. Também é importante procurar atendimento quando:
- os sintomas não melhoram depois do tratamento indicado;
- a candidíase volta com frequência ao longo do ano;
- surgem febre, mal-estar ou dor mais intensa;
- há dificuldade para engolir, no caso da forma que afeta o esôfago;
- a pessoa tem alguma condição que reduz a imunidade.
Candidíase não é IST
Como o fungo Candida vive naturalmente no corpo humano e sua proliferação costuma estar ligada a fatores internos, como baixa imunidade ou alterações hormonais, a candidíase não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ainda assim, pode ser transmitida por contato íntimo com secreções infectadas, superfícies contaminadas ou uso compartilhado de objetos de higiene pessoal. Por isso, o uso de preservativo durante episódios ativos é uma forma de cuidado mútuo.
Tratamento e prevenção
O tratamento varia conforme o tipo de candidíase e a gravidade do quadro, sempre definido pelo médico responsável. Algumas medidas do dia a dia ajudam tanto no cuidado quanto na prevenção:
- manter a higiene íntima em dia, sem exagerar;
- preferir roupas leves e de algodão;
- evitar duchas íntimas;
- roupa de banho molhada
- reduzir o consumo de açúcares refinados;
- cuidar da imunidade com alimentação equilibrada e sono adequado;
- manter sob controle condições de base, como diabetes;
- usar preservativo nas relações sexuais.
Check-ups médicos periódicos também ajudam a identificar o problema cedo e a manter o organismo equilibrado.
Perguntas frequentes
Candidíase é IST?
Não. O fungo Candida já faz parte da microbiota do corpo, e a infecção costuma surgir por fatores internos, como queda de imunidade ou uso de antibióticos. Ainda assim, pode ser transmitida por contato íntimo, por isso o preservativo é recomendado durante uma crise ativa.
Homem pode ter candidíase?
Sim. A candidíase no pênis é menos comum do que a vaginal, mas acontece, principalmente em homens com diabetes não controlado, baixa higiene íntima ou após relação com parceira com candidíase ativa.
Candidíase de repetição tem cura?
Tem tratamento e controle, mas alguns casos precisam de acompanhamento mais longo para identificar e tratar o fator que está favorecendo o retorno das crises, como diabetes ou uso frequente de antibióticos.
Candidíase some sozinha, sem tratamento?
Em quadros bem leves, pode até melhorar sozinha, mas o mais indicado é sempre confirmar o diagnóstico com um médico, já que outras condições causam sintomas parecidos.
Candidíase encontrada só no exame de urina sempre precisa de tratamento?
Não necessariamente. Quando o fungo aparece na urina sem nenhum sintoma, muitas vezes não é preciso tratar. A decisão do médico depende do contexto, como gravidez, procedimentos urológicos programados ou imunidade muito baixa.
Pode ter relação sexual durante a candidíase?
O ideal é evitar ou usar preservativo enquanto os sintomas estiverem ativos, tanto para reduzir o desconforto quanto para diminuir a chance de transmissão para o parceiro ou parceira.
Fontes:
- Research, Society and Development
- Revista JRG de Estudos Acadêmicos
- NHS — Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido
- The Lancet Infectious Diseases — diretriz global de candidíase, 2025
- The New England Journal of Medicine — candidíase invasiva, 2015
- IDSA / Clinical Infectious Diseases — diretriz de manejo da candidíase, 2016
- The Lancet Infectious Diseases — candidíase em pacientes críticos, 2017
Pode comer ovo .quando estou com cândida. É qual exames que peço o ginecologista para saber se é candidiase mesmo?
Olá, bom dia! Para ter um diagnóstico e / ou orientações é preciso consultar um especialista, em avaliação na consulta médica. Para marcar uma consulta com a gente você pode entrar em contato com uma central de atendimento pelo fone 4090-1510 ou pelo site http://www.drconsulta.com . Obrigado, abraço!
Podem comer ovo quando estou com cândida.? qual exames que posso pedir ginecologista para saber se é candidiase pois sinto muita coceira ,ardência e sai um leite pastoso grosso da minha vagina.
Olá, bom dia! Para ter um diagnóstico e / ou orientações é preciso consultar um especialista, em avaliação na consulta médica. Para marcar uma consulta com a gente você pode entrar em contato com uma central de atendimento pelo fone 4090-1510 ou pelo site http://www.drconsulta.com . Obrigado, abraço!
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