Instabilidade emocional não é fraqueza

A instabilidade emocional é uma experiência psíquica marcada por oscilações frequentes e intensas dos sentimentos, o que afeta diretamente o comportamento, a tomada de decisão, os vínculos interpessoais, bem como o bem-estar psicológico.
Embora seja um traço comum a diferentes condições clínicas, ela também ocorre de maneira isolada, sem necessariamente configurar um diagnóstico psiquiátrico específico.
Por isso, é importante compreender o quadro como um fenômeno que envolve fatores biológicos, psicológicos e contextuais, e não apenas como um sintoma secundário.
Quando a emoção se torna variável
A oscilação dos sentimentos merece atenção quando se caracteriza por mudanças rápidas e imprevisíveis no estado afetivo, como alternância repentina entre tristeza, raiva, irritabilidade e ansiedade, por exemplo.
Geralmente essas reações são desproporcionais aos estímulos ambientais e ocorrem ao longo de um mesmo dia ou até em curtos períodos, interferindo na percepção de si e do mundo.
Além das alterações de humor, outros sinais recorrentes incluem:
- sensação persistente de vazio;
- reações intensificadas a frustrações cotidianas;
- dificuldade em entender ou nomear o que se sente;
- impulsividade como forma de alívio imediato;
- relacionamentos marcados por conflitos e inconstância.
Essas manifestações impactam diretamente a qualidade das interações sociais, bem como a vivência cotidiana, exigindo atenção clínica quando frequentes e persistentes.
A diferença entre instabilidade emocional e transtornos do humor
O quadro pode lembrar condições como a bipolaridade ou a síndrome Borderline, mas apresenta características próprias.
No transtorno bipolar, por exemplo, os episódios de depressão e euforia costumam durar dias ou semanas. Já na instabilidade emocional, as variações de humor são mais rápidas e geralmente desencadeadas por situações do dia a dia.
Enquanto no Borderline há principalmente impulsividade, dificuldades nos relacionamentos e intensidade.
Ainda assim, sentir oscilações emocionais frequentes não significa, necessariamente, que haverá um diagnóstico patológico. Para isso, é fundamental uma avaliação profissional.
O acompanhamento psicológico possibilita desenvolver maior consciência, aprender técnicas de regulação e fortalecer o “eu interior” para lidar com as oscilações.
4 causas e fatores associados à instabilidade emocional
Muitas questões podem contribuir para o surgimento e a manutenção da condição. Dentre as principais, destacam-se:
- influências neurobiológicas;
- experiências adversas na infância;
- traços de personalidade;
- contextos de estresse.
1. Influências neurobiológicas
Alterações nos neurotransmissores como serotonina e dopamina nos processos de regulação afetiva influenciam diretamente na forma como emoções são vivenciadas e expressas.
2. Experiências adversas na infância
Históricos de invalidação, negligência, violência ou instabilidade familiar na infância estão entre os fatores mais recorrentes associados à tal condição na vida adulta.
3. Traços de personalidade
Pessoas com altos níveis de neuroticismo (uma característica associada à tendência de experimentar emoções negativas de forma intensa e frequente) tendem a apresentar maior variabilidade e dificuldade em lidar com experiências negativas.
4. Contextos de estresse
Ambientes imprevisíveis, sobrecarga, relações interpessoais conflituosas e falta de apoio social também desencadeiam episódios de instabilidade, principalmente em indivíduos com maior sensibilidade.
Nesse cenário, soluções de cuidado estruturado e acompanhamento contínuo podem fazer a diferença.
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Então, para quem busca caminhos sustentáveis de autocuidado, essa é uma escolha que alia praticidade, qualidade e suporte especializado.

A importância da regulação emocional no cotidiano
O controle adequado das emoções é o conjunto de práticas que permite identificar, compreender, bem como modular os próprios estados afetivos.
Então, quando essa habilidade está comprometida, a tendência é que sentimentos dominem o comportamento, levando a atitudes impulsivas, conflitos interpessoais e sensação de desorganização interna. Unidos, esses são fatores que podem causar prejuízos à vida pessoal, profissional e relacional.
Como lidar com a instabilidade emocional
Embora não exista uma fórmula única, diferentes abordagens têm se mostrado eficazes, tanto em contextos terapêuticos quanto no cotidiano. A seguir, alguns caminhos validados por pesquisas na área:
Terapias baseadas em evidências
Terapia Comportamental Dialética (TCD)
Uma abordagem da psicanálise voltada principalmente para quadros como o transtorno de personalidade Borderline, essa abordagem integra técnicas cognitivas, comportamentais e práticas de atenção plena (mindfulness) para promover maior tolerância à angústia e modulação emocional.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Auxilia na identificação de pensamentos disfuncionais que intensificam reações emocionais, promovendo reestruturação cognitiva e desenvolvimento de habilidades de enfrentamento.
Técnicas de autorregulação
Exercícios de respiração, de meditação e de ancoragem no momento presente, por exemplo, reduzem a reatividade.
Além disso, a manutenção de uma rotina estruturada, com horários regulares de sono e de alimentação, contribui para maior estabilidade interna.
Apoio psicofarmacológico
Em alguns casos, principalmente quando ela está associada a quadros clínicos específicos, o uso de medicação é indicado.
Por exemplo, após uma avaliação psiquiátrica individualizada, o médico poderá prescrever antidepressivos, estabilizadores de humor ou antipsicóticos atípicos. A indicação deve ser realizada exclusivamente por um psiquiatra, considerando as necessidades de cada indivíduo.
A automedicação é contraindicada, pois pode gerar efeitos adversos e prejudicar ainda mais o processo de cuidado.
Por fim, é fundamental desmistificar a ideia de que apresentar instabilidade emocional se trata de uma falha de caráter ou de força de vontade.
Afinal, ela é uma condição pode ser explicada por múltiplos fatores e que exige cuidado, escuta especializada e métodos individualizados de enfrentamento.
Fontes: