Como identificar a anemia infantil e formas de prevenção
É comum que os pais percebam o filho mais cansado, ou sem vontade, energia para brincar e associem isso a uma fase passageira. Mas quando esse cansaço vem acompanhado de palidez, pouco apetite ou dificuldade para se concentrar, pode ser sinal de anemia, uma condição bastante frequente na infância e, na maioria das vezes, com boa resposta ao tratamento quando identificada cedo.
A seguir, explicamos o que caracteriza a anemia infantil, os sintomas mais comuns, as causas e as formas de prevenção, sempre com base em recomendações oficiais de saúde.
O que é anemia infantil
Anemia é a condição em que a concentração de hemoglobina no sangue fica abaixo do esperado para a idade. A hemoglobina é a proteína das hemácias (glóbulos vermelhos) responsável por transportar oxigênio dos pulmões para o restante do corpo, por isso, quando ela está baixa, o organismo passa a receber menos oxigênio, o que explica sintomas como cansaço e palidez.
Na infância, o tipo mais frequente é a anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a maior parte dos casos de anemia em crianças pequenas está relacionada a esse nutriente, cuja demanda aumenta bastante nos primeiros dois anos de vida, período de crescimento acelerado.
Sintomas mais comuns em bebês e crianças
Os sinais da anemia costumam ser discretos no início e só chamam atenção quando a deficiência já está mais avançada. De acordo com o Ministério da Saúde, os mais frequentes incluem:
- Cansaço fora do habitual
- Palidez da pele e das mucosas (gengivas e parte interna da pálpebra)
- Redução do apetite
- Menor disposição para brincar e se movimentar
- Dificuldade de concentração e de aprendizado
- Irritabilidade
- Crescimento abaixo do esperado para a idade
Como esses sintomas também aparecem em outras condições comuns da infância, eles não confirmam o diagnóstico sozinhos, por isso a avaliação com um pediatra é o caminho mais seguro para entender o que está acontecendo.
Se esses sinais parecem familiares, uma conversa com o pediatra pode esclarecer o que está acontecendo com mais segurança.*
Principais causas e fatores de risco
A causa mais comum da anemia na infância é a ingestão insuficiente de ferro, seja pela alimentação, seja por uma fase de maior necessidade do nutriente que não foi acompanhada de reposição adequada. Entre os fatores que mais contribuem para esse quadro estão:
- Ausência de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses
- Introdução alimentar tardia, precoce ou pouco variada
- Consumo de leite de vaca em excesso antes de 1 ano, que pode reduzir a absorção de ferro
- Prematuridade ou baixo peso ao nascer
- Parasitoses intestinais
- Contexto de vulnerabilidade social, que dificulta o acesso a uma alimentação variada
Existem outros tipos de anemia além da ferropriva
Embora a falta de ferro seja a causa mais comum, a anemia também pode ter origem em outras alterações das células sanguíneas, entre elas:
- Anemia por deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico: relacionada à formação inadequada das hemácias
- Anemia falciforme: condição genética em que as hemácias assumem formato alterado e se rompem com mais facilidade
- Anemia aplástica: redução na produção de células sanguíneas pela medula óssea
- Anemia hemolítica: o organismo destrói as hemácias mais rapidamente do que consegue repor
Essas formas são menos frequentes que a ferropriva e exigem investigação e acompanhamento específicos, geralmente com um hematologista pediátrico.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa sempre pela avaliação clínica com o pediatra, que investiga a rotina alimentar, o histórico de nascimento e os sintomas apresentados. Para confirmar a anemia e identificar a causa, os exames mais usados são o hemograma completo e a dosagem de ferro no sangue (como ferritina).
A Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou, em março de 2026, as recomendações sobre prevenção e tratamento da deficiência de ferro em lactentes, unificando a orientação com o Ministério da Saúde para simplificar a suplementação profilática em bebês nascidos a termo. A entidade reforça que a anemia ferropriva continua sendo uma das carências nutricionais mais prevalentes nos dois primeiros anos de vida, o que torna o acompanhamento pediátrico regular importante mesmo sem sintomas evidentes.
Tratamento da anemia infantil
O tratamento varia conforme a causa e a gravidade do quadro, mas, na anemia ferropriva, costuma envolver:
- Ajustes na alimentação, priorizando alimentos fonte de ferro
- Suplementação com ferro por via oral, quando indicada por um pediatra, nutrólogo ou nutricionista
- Acompanhamento com exames de sangue para verificar a resposta ao tratamento
A reposição de ferro por injeção costuma ficar reservada a situações específicas, como perdas sanguíneas importantes, algumas doenças crônicas ou quando a criança não tolera bem a suplementação oral, sempre sob avaliação médica individual.
Importante: qualquer suplementação de ferro deve ser orientada por um profissional de saúde, já que o excesso do nutriente também pode trazer riscos.
Alimentos que ajudam a prevenir a anemia

Para bebês, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses é uma das medidas mais importantes de prevenção. Depois desse período, a introdução alimentar gradual e variada ajuda a garantir o aporte de ferro necessário ao crescimento.
Entre os alimentos fonte de ferro que podem fazer parte do cardápio da família, de acordo com a SBP, estão:
- Carnes vermelhas
- Fígado
- Peixes e frutos do mar
- Aves
- Feijão, lentilha e outras leguminosas
- Vegetais verde-escuros, como espinafre e couve
- Oleaginosas, como castanhas e nozes
Uma dica prática: oferecer, na mesma refeição, uma fonte de vitamina C, como laranja, limão ou acerola, ajuda o corpo a absorver melhor o ferro de origem vegetal.
Possíveis complicações quando a anemia não é tratada
Quando não identificada e tratada, a deficiência de ferro na infância pode afetar diferentes aspectos do desenvolvimento, entre eles:
- Impacto no desenvolvimento cognitivo, motor e da linguagem
- Maior susceptibilidade a infecções
- Dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar
- Atraso no ganho de peso e na estatura
Esses efeitos reforçam por que vale a pena não adiar a avaliação diante de sinais como cansaço persistente, palidez ou perda de apetite.
Quando procurar atendimento médico
Vale marcar uma consulta sempre que a criança apresentar palidez perceptível, cansaço fora do comum, queda no apetite que se prolonga por mais de alguns dias, ou dificuldade de concentração associada a esses sinais. Bebês prematuros, com baixo peso ao nascer ou que não fizeram aleitamento exclusivo também se beneficiam de um acompanhamento mais próximo com o pediatra nos primeiros dois anos.
Não deixe os sinais de anemia passarem despercebidos
Identificar a anemia infantil cedo faz diferença no desenvolvimento e no bem-estar da criança. Se você percebeu cansaço frequente, palidez ou mudanças no apetite do seu filho, uma consulta com o pediatra ajuda a esclarecer a causa e definir os próximos passos com segurança.
Perguntas frequentes
Toda criança pálida tem anemia?
Não necessariamente. A cor da pele pode variar por outros motivos, mas a palidez de mucosas — como a parte interna da pálpebra e as gengivas, é um sinal mais específico e merece avaliação médica.
Até que idade a anemia infantil é mais comum?
O risco é maior entre os 6 e os 24 meses, período de crescimento acelerado e maior demanda de ferro, mas a condição pode ocorrer em outras faixas etárias.
Leite de vaca pode causar anemia em bebês?
O consumo de leite de vaca antes de 1 ano, especialmente em grande quantidade, pode reduzir a absorção de ferro e aumentar o risco de anemia. Por isso, a orientação pediátrica sobre a introdução alimentar é importante.
A suplementação de ferro pode ser feita por conta própria?
Não é recomendado. A dose e o tempo de uso devem ser definidos por um pediatra, nutrólogo ou nutricionista, conforme a necessidade de cada criança.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.
Fontes:
Meu bebê tem 1ano e 5 meses e tem anemia desde os 7 meses,já tomou vários sulfatos ferroso e ainda continua com anemia,o que faço??
Olá! Aldineres, como vai? Recomendamos levar ele no pediatra para que o médico possa avaliar e informar o melhor tratamento.
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