Principais dicas para aliviar os fogachos na menopausa

Também chamados de ondas de calor da menopausa, os fogachos são um desconforto bastante comum na transição para o fim do período fértil.
Estima-se que até 80% das mulheres terão manifestações sutis. Enquanto isso, um estudo de 2023 demonstrou que, entre as brasileiras, episódios de intensidade moderada ou grave podem afetar cerca de 36% delas.
Diante de tamanho impacto, reconhecer os pontos-chave dessa alteração e entender como aliviá-los, inclusive contando com apoio especializado, é essencial na manutenção da qualidade de vida.
As características que definem a menopausa
Esse é um marco indicativo de que o organismo feminino está entrando na fase final de sua idade reprodutiva.
Com a menopausa, os ovários deixam de liberar novos óvulos para uma potencial gravidez e o útero não se prepara mais para acomodar o feto resultado de uma fecundação. Com isso, não há o fluxo sanguíneo mensal proveniente da descamação do endométrio, que reveste o interior uterino.
Em paralelo, vários hormônios param, pouco a pouco, de ser produzidos em quantidades suficientes. Os mais atingidos por esse processo são o estrogênio e a progesterona.
Em média, isso acontece dos 45 aos 55 anos, no momento em que a mulher atinge 12 meses de interrupção da menstruação.
Mas essa não é uma regra absoluta: existem casos precoces (que começam antes dos 40) ou tardios (depois dos 55). Tais variações e suas respectivas consequências devem ser discutidas junto ao ginecologista.
De que forma é possível aliviar os fogachos
É esperado que as ondas de calor se tornem menos frequentes e intensas com o passar do tempo. Casos mais leves eventualmente não demandam qualquer intervenção, dispensando preocupações.
No entanto, isso muda quando elas incomodam tanto a ponto de prejudicar o dia a dia da pessoa afetada.
Um exemplo prático é aquele em que a experiência desagradável atrapalha o repouso noturno, o que pode ser indicativo da necessidade de recorrer a ações para amenizar a queixa.
Inicialmente, ajustes no estilo de vida são úteis, contribuindo para reduzir o número de episódios do calorão:
- identificar alimentos que pioram os fogachos, como aqueles condimentados, com pimenta, ricos em cafeína ou ainda que são servidos muito quentes;
- parar de fumar e controlar o consumo de álcool;
- praticar exercícios físicos regularmente, se o movimento não for um gatilho para o calor;
- usar roupas (inclusive de cama) com tecidos leves e que permitam a respiração adequada da pele;
- ventilar os ambientes abundantemente;
- encontrar estratégias para descarregar o estresse do dia a dia, uma vez que o nervosismo constante intensifica a situação.
Outras medidas que não envolvem o uso de medicamentos ajudam, incluindo técnicas de meditação e de acupuntura. Porém, é necessário ter atenção a promessas que parecem boas demais para ser verdade.
A supervisão médica também é essencial para determinar o que efetivamente é capaz de entregar benefícios sem oferecer riscos além da conta.
Como a ajuda profissional colabora para atravessar esse período
Se as orientações gerais para aliviar os sinais da menopausa forem insuficientes, existem outros recursos disponíveis.
A alternativa mais conhecida (e quase sempre mais efetiva) é a chamada terapia de reposição hormonal. Ela funciona a partir da administração de (através de comprimidos, géis ou adesivos sobre a pele) de estrogênio e progesterona.
Com o equilíbrio da concentração dessas substâncias, torna-se possível obter uma redução das alterações, englobando os fogachos, conforme descreve a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Todavia, para surtir o efeito pretendido, o acompanhamento junto ao endocrinologista é indispensável. É ele quem determina possíveis restrições, que incluem diagnósticos de câncer de mama ou endométrio, histórico de sangramento vaginal e risco de tromboses, que precisam ser analisados com cuidado.
Diante das contraindicações, medicamentos desenvolvidos com fins diversos (como antidepressivos e fármacos utilizados para abordar questões psiquiátricas e neurológicas) são considerados pelo profissional responsável pela prescrição.
O que explica os fogachos nessa fase da vida

A queda na circulação dos hormônios interfere diretamente na regulação da temperatura corporal. Os vasos sanguíneos de diversas áreas contraem ou se dilatam de maneira anormal, gerando oscilações na percepção de calor.
Essas variações se seguem em repetições que duram alguns minutos. As recorrências estão frequentemente acompanhadas de suor intenso, arrepios e vermelhidão na pele, sem que isso altere o registro obtido com um termômetro. Eles podem se repetir durante a noite, interrompendo o sono.
Casos mais intensos geram uma sensação de ansiedade e provocam uma aceleração do batimento cardíaco.
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Menopausa e climatério
Esses são dois termos que sempre aparecem lado a lado. Todavia, vale destacar que os conceitos indicam etapas ligeiramente diferentes. Com isso, é preciso considerar que:
- A menopausa é o ponto que marca a interrupção das menstruações.
- O climatério compreende todo o período entre a etapa reprodutiva e a não reprodutiva, que é alcançada por volta dos 60 anos.
Logo, a menopausa acontece dentro do climatério, que é mais abrangente. Apesar disso, nenhuma dessas alterações deve ser caracterizada como uma doença ou condição que necessariamente precisa de tratamento. Elas são modificações plenamente esperadas, a partir da interação de vários fatores biológicos.
Para determinar se a mulher já alcançou esse estágio, o ginecologista se baseia nos relatos daquela pessoa. Em situações esporádicas, ele solicita um exame de sangue para dosagem do hormônio folículo- estimulante (FSH).
Outras variações notadas no organismo feminino durante a menopausa
Embora geralmente o mais notável, os fogachos não são o único sinal percebido. Podem aparecer desarranjos adicionais com graus diferenciados de influência no dia a dia. Entre aquelas mais comuns estão:
- flutuações de humor, com irritabilidade, tristeza e ansiedade, bem como mau-humor, insônia e crises de choro;
- alterações vaginais, que afetam a lubrificação da parte íntima e tornam o contato íntimo com penetração doloroso;
- redução do desejo sexual;
- aumento de peso e redistribuição da gordura, fazendo com que ela se acumule com mais facilidade na barriga;
- diminuição da rigidez muscular e perda gradual da massa óssea, o que eleva a possibilidade de fraturas;
- incontinência urinária, que causa a vontade repetida de ir ao banheiro e a impressão de que a bexiga não se esvaziou por completo. Isso expande a chance de desenvolver infecções urinárias recorrentes.
Mais uma vez, a adoção de hábitos saudáveis tem papel destacado em uma rotina satisfatória e produtiva. Caso note os sintomas, busque apoio para viver essa fase com mais qualidade.
Fontes:
- Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia;
- Associação Brasileira de Climatério;
- Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo;
- Biblioteca Virtual em Saúde;
- Johns Hopkins Medicine;
- Menopause;
- National Institute of Aging;
- Prefeitura do Município de São Paulo;
- Revista da Associação Médica Brasileira;
- Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.