Câncer do Colo do Útero: Sintomas, causas e prevenção
O câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, respondendo por cerca de 7,4% dos casos, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período 2026-2028. É também um dos poucos tipos de câncer com uma causa bem definida, a infecção persistente por HPV e com ferramentas concretas de prevenção: vacina, rastreamento organizado e acompanhamento ginecológico regular.
Entender como ele se desenvolve e quais são os sinais de alerta ajuda a reforçar o cuidado com a própria saúde.
O que é o câncer do colo do útero
O colo do útero é a estrutura que conecta o útero à parte superior da vagina e abriga o canal cervical, por onde passam a menstruação e os espermatozoides. Durante a gestação, ele se mantém fechado como uma barreira protetora ao feto, e é a região que se dilata para permitir o parto.
Os tumores nessa região costumam se formar de modo lento, geralmente a partir de alterações chamadas lesões precursoras, quase sempre identificadas em exames de rotina, muito antes de se tornarem câncer. Elas surgem quando alterações no DNA das células do colo do útero levam a uma proliferação celular fora de controle.
A causa está, na quase totalidade dos casos, associada à infecção persistente por subtipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), principalmente os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos, mas também outros subtipos de alto risco (como 31, 33, 45, 52 e 58). Isso não significa que toda infecção por HPV vira câncer: na maioria das vezes, o próprio organismo elimina o vírus. O problema ocorre quando a infecção persiste por muitos anos sem ser identificada e tratada, por isso o rastreamento regular é tão importante.
Sinais característicos do câncer do colo do útero
Em estágios iniciais, a condição costuma ser assintomática, mais um motivo para não depender apenas dos sintomas e manter o rastreamento em dia. Quando presente, a primeira manifestação costuma ser sangramento fora do período menstrual, após relações sexuais ou já na menopausa. Ao notar esse sinal, é importante comunicar ao ginecologista.
Outros sintomas possíveis incluem:
- corrimento vaginal com odor forte e cor fora do habitual;
- dor na região pélvica;
- desconforto durante o contato íntimo;
- perda de peso sem explicação aparente.
Esses sinais também podem estar relacionados a outras condições, como cervicites (inflamações) e ectopias (alterações benignas do colo do útero), que são comuns e não indicam necessariamente câncer. Por isso, a avaliação médica e os exames preventivos são o caminho para esclarecer a causa.
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Fatores de risco
Entre os fatores que aumentam a chance de desenvolver a doença estão:
- infecção persistente por HPV de alto risco;
- início precoce da vida sexual e múltiplos parceiros sem uso de preservativo;
- tabagismo — fumantes têm risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver lesões de alto grau no colo do útero;
- imunossupressão, como em pessoas vivendo com HIV ou que passaram por transplante de órgão sólido;
- uso prolongado de anticoncepcionais hormonais;
- ausência ou irregularidade no rastreamento: boa parte dos casos de câncer do colo do útero ocorre justamente em mulheres que nunca fizeram o exame preventivo ou o fizeram fora do intervalo recomendado.
Esse último ponto reforça algo importante: manter o rastreamento em dia é, na prática, uma das formas mais eficazes de evitar que uma lesão inicial evolua para câncer.

Como é feito o diagnóstico
O Brasil está em transição no método de rastreamento do câncer do colo do útero. Desde agosto de 2025, o Ministério da Saúde passou a adotar, no SUS, o teste molecular de DNA-HPV como método primário de rastreamento organizado, substituindo gradualmente a citologia (Papanicolau) — que por décadas foi a principal ferramenta de prevenção no país.
Como funciona, na prática:
- o teste de HPV tem sensibilidade maior do que a citologia isolada para detectar lesões precursoras;
- a implantação começou em 11 estados e no Distrito Federal, com previsão de expansão para todo o país até o fim de 2026, por isso, dependendo da região, a citologia (Papanicolau) ainda pode ser o exame oferecido;
- quando o resultado do teste de HPV é negativo, a recomendação passa a ser repetir o exame em 5 anos (em vez dos 3 anos da citologia tradicional);
- se o resultado indicar os subtipos 16 ou 18, a orientação é encaminhamento direto para colposcopia; para outros subtipos oncogênicos, costuma-se complementar com citologia antes de decidir a conduta.
Diante de qualquer resultado alterado, exames complementares como colposcopia e biópsia ajudam a confirmar o diagnóstico e orientar os próximos passos, vale lembrar que nem toda alteração no exame significa câncer.
Tratamento para o câncer do colo do útero
O tratamento é individualizado e considera o estágio da doença, o tamanho da lesão e a saúde geral da paciente. As principais abordagens são:
- cirurgia: pode variar desde a retirada apenas da área afetada — inclusive com técnicas que buscam preservar a fertilidade em casos bem selecionados — até a remoção total do útero, quando necessário;
- radioterapia: usada para destruir células afetadas ou reduzir o tamanho de tumores;
- quimioterapia: indicada em quadros mais avançados, geralmente associada à radioterapia;
- tratamento combinado: junção de duas ou mais dessas abordagens, conforme avaliação médica.
Em casos mais avançados, novas classes de medicamentos, como a imunoterapia, têm ampliado as possibilidades de tratamento, sempre definidas e acompanhadas por uma equipe médica especializada. De forma geral, quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento simples e eficaz.
Prevenção: vacinação contra o HPV e rastreamento
A vacinação contra o HPV é considerada a forma mais eficaz de reduzir o risco de desenvolver o câncer do colo do útero, e o calendário no Brasil foi ampliado recentemente:
- crianças e adolescentes de 9 a 14 anos recebem a vacina em dose única pelo SUS;
- adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não se vacinaram podem buscar a dose de resgate — campanha prorrogada até o primeiro semestre de 2026;
- pessoas de 9 a 45 anos em grupos especiais (como pessoas vivendo com HIV, transplantadas, em tratamento oncológico, vítimas de violência sexual ou usuárias de PrEP) seguem esquema de três doses.
Além da vacina, usar preservativo em todas as relações, manter o rastreamento em dia (Papanicolau ou teste de HPV) e manter acompanhamento periódico com o ginecologista são medidas que, juntas, reduzem bastante o risco da doença e favorecem diagnósticos precoces.
Quando procurar atendimento médico
Sangramento fora do período menstrual, após relações sexuais ou na menopausa, corrimento com odor ou cor fora do habitual, e dor pélvica persistente são sinais que merecem avaliação com um ginecologista. Mesmo sem sintomas, manter os exames preventivos no intervalo recomendado é a forma mais segura de identificar alterações precocemente.
Se você está em dúvida sobre quando fez seu último exame preventivo ou sobre a vacinação contra o HPV, uma consulta com o ginecologista pode ajudar a esclarecer o que faz sentido para o seu caso.
Perguntas frequentes
Ter HPV significa que vou ter câncer do colo do útero?
Não. A maioria das infecções por HPV é eliminada naturalmente pelo organismo em até dois anos. O câncer está associado à persistência da infecção por tipos de alto risco ao longo de muitos anos sem diagnóstico e acompanhamento.
A partir de que idade devo começar o rastreamento?
A recomendação no Brasil é iniciar o rastreamento a partir dos 25 anos. O ginecologista pode ajustar essa orientação conforme o histórico de cada paciente.
O teste de HPV substitui totalmente o Papanicolau?
No Brasil, essa transição está em andamento no SUS desde 2025, com expansão gradual prevista até o fim de 2026. Até que o teste de HPV chegue a todas as regiões, o Papanicolau continua sendo uma ferramenta de rastreamento válida e recomendada.
Quem já tomou a vacina contra o HPV ainda precisa fazer o rastreamento?
Sim. A vacina reduz bastante o risco, mas não protege contra todos os subtipos de HPV associados ao câncer, por isso o rastreamento regular continua sendo recomendado mesmo para quem já se vacinou.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.
Fontes:
Ola! Minha namorada está com esses sintomas de corrimento vaginal , começou a alguns dias atrás, ela fazendo o exame no Drconsulta, e detectando o problema de tumor no útero, o tratamento ocorre na própria unidade hospitalar??
Olá, Tiago! Tudo bem? Depende muito, dependendo do procedimento solicitado ela pode ser designada para uma cirurgia em uma rede diferente, entre em contato com o 4090-1510 opção de numero 1 para maiores informações!
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