Confira o guia completo sobre o câncer de próstata
O câncer de próstata é o crescimento desordenado de células da próstata, glândula masculina localizada abaixo da bexiga e responsável por produzir parte do sêmen. É o câncer mais frequente entre os homens no Brasil, desconsiderando o de pele não melanoma, e costuma evoluir lentamente, com boas chances de tratamento quando identificado cedo.
Falar sobre próstata ainda deixa muitos homens desconfortáveis. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Cancerologia mostra que fatores socioculturais, como o preconceito em relação ao exame, estão entre as barreiras que levam homens a adiar a avaliação da próstata. Só que entender como a doença funciona é uma das formas mais eficazes de cuidar da própria saúde, e a informação certa tira muito do peso que o tema carrega.
Neste guia, você vai entender quais sinais merecem atenção, como o diagnóstico é feito hoje e quais tratamentos existem.
O que é a próstata e como o câncer se desenvolve
A próstata tem mais ou menos o tamanho de uma noz e envolve o início da uretra, o canal por onde a urina sai. O câncer surge quando células dessa glândula passam a se multiplicar sem controle, formando um tumor.
Nem todo tumor de próstata se comporta da mesma forma. Alguns crescem tão devagar que talvez nunca causem problemas ao longo da vida. Outros são mais agressivos e precisam de tratamento rápido. Por isso a avaliação é sempre individual.
Câncer de próstata é comum?
Sim. É o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros quando não se considera o câncer de pele não melanoma. Pela estimativa mais recente do INCA, são esperados 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano, o que corresponde a cerca de 30% dos diagnósticos de câncer em homens no triênio 2026–2028.
Esse número alto se explica em parte pelo envelhecimento da população: quanto maior a expectativa de vida, mais homens chegam à faixa etária em que a doença é mais comum.
Sintomas do câncer de próstata
Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente não causa sintomas. Quando aparecem, os sinais costumam estar ligados à urina, à vida sexual ou, em casos avançados, aos ossos.
Os sintomas que podem surgir incluem:
- dificuldade para urinar ou jato urinário fraco;
- vontade de urinar com mais frequência, inclusive à noite;
- sensação de que a bexiga não esvaziou por completo;
- dor ou ardência ao urinar;
- presença de sangue na urina ou no sêmen;
- dor durante a ejaculação ou dificuldade de ereção;
- dor persistente na região pélvica, na lombar ou nos quadris;
- dor nos ossos, em situações mais avançadas.
Sintomas urinários nem sempre significam câncer
A maior parte das queixas urinárias em homens acima dos 50 anos tem outra causa, como a hiperplasia prostática benigna ou uma infecção urinária. Ainda assim, qualquer alteração que persista merece avaliação, justamente para que o médico identifique a origem.
Fatores de risco
A idade é o principal fator de risco, e a doença é pouco comum antes dos 50 anos. Histórico familiar, origem étnica e algumas alterações genéticas também aumentam a probabilidade.
- Idade: o risco cresce progressivamente após os 50 anos.
- Histórico familiar: ter pai ou irmão com câncer de próstata, especialmente diagnosticado antes dos 60 anos.
- Homens negros: apresentam maior incidência e, com frequência, formas mais agressivas da doença.
- Alterações genéticas hereditárias: como mutações nos genes BRCA1, BRCA2, também associadas a câncer de mama e ovário na família.
- Excesso de peso: o sobrepeso e a obesidade estão relacionados a risco maior de formas avançadas da doença.
Hábitos como o sedentarismo e o tabagismo também merecem atenção. Eles prejudicam a saúde como um todo e, em alguns estudos, aparecem associados a formas mais agressivas da doença.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá câncer. Significa que vale conversar com o médico mais cedo sobre o acompanhamento.
Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico combina exame de sangue (PSA), toque retal e, quando há suspeita, ressonância magnética. A confirmação só acontece com a biópsia, que analisa um fragmento da próstata em laboratório.
Exame de PSA
A dosagem sanguínea do Antígeno Prostático Específico (PSA) mede uma proteína produzida pela próstata. Valores elevados podem indicar câncer, mas também aparecem em situações benignas, como o aumento benigno da próstata, inflamações ou atividade sexual recente. Por isso, o resultado é sempre interpretado em conjunto com outros dados.
Toque retal
É um exame rápido, feito no consultório, que permite ao médico avaliar clinicamente o tamanho, a forma e a consistência da estrutura. Dura poucos segundos e pode identificar alterações que o PSA sozinho não mostraria.
Ressonância magnética multiparamétrica
Quando o PSA ou o toque levantam suspeita, a ressonância multiparamétrica ajuda a localizar áreas que merecem investigação. Ela orienta a biópsia com mais precisão e, em alguns casos, pode evitar biópsias desnecessárias.
Biópsia de próstata
A biópsia retira pequenos fragmentos da glândula para análise. A técnica transperineal, feita pela pele da região entre o escroto e o ânus, vem ganhando espaço por apresentar menor risco de infecção em comparação com a via transretal. O resultado indica não só se há câncer, mas também seu grau de agressividade, classificado pelo escore de Gleason e pelo sistema ISUP.
Exames de estadiamento
Depois do diagnóstico, alguns exames ajudam a saber se o tumor está restrito à próstata. O PET-PSMA usa uma substância que se liga ao PSMA (antígeno de membrana específico da próstata), uma proteína presente em grande quantidade nas células do tumor. Isso permite identificar possíveis metástases com mais precisão do que os exames convencionais. Ele é indicado principalmente em tumores de risco intermediário ou alto.
Em casos selecionados, biomarcadores e testes moleculares, como PCA3, 4Kscore e testes genômicos do tecido tumoral, podem complementar a avaliação de risco.
A partir de que idade conversar sobre rastreamento?
O rastreamento do câncer de próstata é um tema com posições diferentes entre as instituições. O mais indicado é uma decisão compartilhada entre o homem e o médico, que costuma começar aos 50 anos e por volta dos 40 anos para quem tem fatores de risco.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com o urologista sobre os benefícios e limites da avaliação, e a partir dos 45 quando são negros ou têm histórico familiar.
Tratamento do câncer de próstata
O tratamento depende do estágio da doença, da agressividade do tumor, da idade e das condições de saúde do paciente. As principais opções são vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e terapias hormonais, isoladas ou combinadas.
Vigilância ativa
É indicada para tumores de baixo risco, que crescem devagar. O médico acompanha o paciente com exames periódicos de PSA, ressonância e, quando necessário, novas biópsias. O tratamento só é iniciado se houver sinais de progressão, o que evita efeitos colaterais em pessoas que talvez nunca precisassem de intervenção.
Cirurgia (prostatectomia radical)
Consiste na retirada da próstata e das vesículas seminais. Pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. A técnica robótica oferece boa visualização e precisão, mas o resultado depende muito da experiência da equipe cirúrgica.
Radioterapia
Usa radiação para destruir as células tumorais. Pode ser externa ou feita com implantes radioativos dentro da próstata (braquiterapia). Em alguns casos, é combinada com hormonioterapia.
Hormonioterapia e tratamentos para doença avançada
As células do câncer de próstata costumam depender da testosterona para crescer. A hormonioterapia reduz a produção ou bloqueia a ação desse hormônio e é muito usada quando a doença se espalhou para outras partes do corpo.
Nos últimos anos, novas classes de medicamentos hormonais, quimioterapias e tratamentos com radiofármacos direcionados ao PSMA ampliaram as opções para a doença metastática. Há também terapias específicas para proteger os ossos quando há metástase óssea. A escolha depende de avaliação oncológica individual.
Efeitos do tratamento e qualidade de vida
Os tratamentos podem causar incontinência urinária e alterações na ereção. Em muitos casos, esses efeitos melhoram com o tempo e com acompanhamento adequado.
Algumas medidas ajudam na recuperação:
- fisioterapia pélvica e exercícios de Kegel para homens, que fortalecem a musculatura responsável pelo controle urinário;
- tratamentos para disfunção erétil, discutidos com o urologista;
- acompanhamento psicológico, quando o diagnóstico ou os efeitos do tratamento afetam o bem-estar emocional e a vida a dois.
Conversar abertamente com a equipe sobre essas questões faz parte do tratamento.
Como reduzir o risco: hábitos que fazem diferença
Não há uma forma garantida de prevenir o câncer de próstata, já que idade e genética não podem ser mudadas. Mas um estilo de vida saudável contribui para a saúde geral e está associado a menor risco de formas avançadas da doença.
Os cuidados recomendados são:
- manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes e grãos integrais, moderando carnes processadas e gordura animal;
- praticar atividade física regularmente, com pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, como uma caminhada de 30 minutos em cinco dias;
- evitar o tabagismo;
- reduzir o consumo de álcool;
- controlar o peso corporal;
- fazer consultas periódicas, principalmente a partir dos 50 anos, ou antes se houver fatores de risco.
Quando procurar o médico
Procure avaliação médica se notar alterações urinárias que persistam por mais de algumas semanas, sangue na urina ou no sêmen, dor ao urinar ou ejacular, ou dor persistente na região pélvica, lombar ou nos ossos.
Mesmo sem sintomas, homens a partir dos 50 anos, ou a partir dos 45 com histórico familiar ou outros fatores de risco, se beneficiam de uma conversa com o urologista sobre a melhor forma de acompanhamento.
Perguntas frequentes
Câncer de próstata tem cura?
Quando diagnosticado em fase inicial e restrito à próstata, o câncer de próstata tem altas chances de controle e cura com o tratamento adequado. Em fases avançadas, os tratamentos atuais permitem controlar a doença por longos períodos.
PSA alto significa câncer?
Não necessariamente. O PSA pode subir por aumento benigno da próstata, inflamação, infecção ou até atividade sexual recente. O resultado precisa ser interpretado pelo médico junto com outros exames.
O exame de toque retal dói?
O toque retal pode causar um leve desconforto, mas não costuma doer. É rápido, dura poucos segundos e traz informações importantes que o exame de sangue sozinho não oferece.
Só o exame de PSA é suficiente?
Não. O PSA e o toque retal se complementam. Quando há suspeita, exames como a ressonância multiparamétrica e a biópsia ajudam a esclarecer o diagnóstico.
Câncer de próstata é hereditário?
A maioria dos casos não tem origem hereditária, mas ter pai ou irmão com a doença aumenta o risco. Alterações genéticas como as dos genes BRCA também podem ter influência.
O tratamento afeta a vida sexual?
Pode afetar, especialmente a ereção, mas os efeitos variam conforme o tipo de tratamento e muitas vezes melhoram com o tempo. Existem tratamentos e acompanhamento específicos para essa fase.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.
Fontes:
- Ministério da Saúde; Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de próstata.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
- Conhecimento e atitudes sobre o câncer de próstata no Brasil: revisão integrativa. Revista Brasileira de Cancerologia, 2018; 64(4): 561-567.
- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Título a confirmar. Repositório da Produção Científica e Intelectual da Unicamp.
- Sociedade Brasileira de Urologia. Portal da Urologia.
Atualizado em 08/10/2026.
Câncer 1./. Maligno detectado na segunda biópsia em alguns fragmentos a 1 ano, aguardando oncologista chamar
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