O que os diferentes tipos de humor dizem sobre a saúde mental

Quando se pensa em tipos de humor ao abordar a sua influência sobre o bem-estar psíquico, não se está fazendo referência necessariamente ao que provoca o riso de alguém.
Na prática, isso significa que falta vigor para realização das atividades diárias e, eventualmente, podem surgir uma série de complicações que comprometem uma vida saudável.
Afinal de contas, o que é o humor para a psicologia
No sentido psicológico, principalmente quando analisado por especialistas na área, esse estado diz respeito à sensação de disposição que se experimenta em determinado momento da vida.
Em geral, o humor é diferente do que se chama de emoção. A principal distinção em torno disso diz respeito ao fato de que alguém exposto a determinado cenário pode se sentir com raiva apenas momentaneamente.
Enquanto isso, o estado de ânimo perdura por dias, semanas ou meses, como uma espécie de pano de fundo para tudo o que o indivíduo sente, faz ou pensa.
Eventualmente, ele é afetado também por disfunções fisiológicas, hormonais ou de qualquer outro aspecto que influencie a saúde como um todo.

Quais são os principais tipos de humor
É claro que é difícil colocar em caixinhas precisas a forma como cada um se sente e o ânimo apresentado em variados estágios. De qualquer maneira, tal característica é classificável conforme os seguintes elementos:
- humor eutímico, que é o normal que se espera se não há nenhuma perturbação emocional, afetiva ou psicológica;
- humor hipotímico, que engloba estados deprimidos e de disposição rebaixada, em que a se fica “para baixo”;
- humor hipertímico, uma condição de euforia, êxtase e animação.
Um traço singular dos tipos de humor é que, frequentemente, quem está atravessando um período marcado pelo destaque maior de algum deles não percebe isso. Ou seja, a diferenciação só é aparente diante da observação de terceiros.
De que forma os transtornos de humor se manifestam
O sobe e desce no ânimo pode ser encarado como queixa de saúde mental quando se torna frequente, persistente e interfere na capacidade do indivíduo de dar conta das suas obrigações (no trabalho, nos relacionamentos, na escola etc.).
Assim sendo, uma parte dos descompassos mentais pode ser classificada como transtornos de humor. Eles são definidos pela permanência consistente de um ânimo deprimido (hipotímico), eufórico (hipertímico) ou uma mistura de ambos. Entram nessa lista:
- os desarranjos depressivos (desde a depressão maior, que é a mais conhecida, até a distimia, uma manifestação atenuada e crônica);
- o transtorno afetivo bipolar, em que a pessoa atravessa episódios de depressão e depois tem quadros de mania;
- desequilíbrios que têm como base a ansiedade, onde há uma alteração na resposta às percepções de ameaça, medo e perigo.
Não há meio de determinar com clareza quem está mais ou menos sujeito, mas modificações na química do cérebro (como na flutuação da serotonina, por exemplo), histórico familiar e experiências desagradáveis acumuladas ao longo da vida certamente aumentam a predisposição para esse tipo de complicação.
Sinais do humor hipotímico
Entre as modificações de comportamento associadas ao rebaixamento do ânimo estão:
- cansaço ou falta de energia;
- tristeza ou desesperança;
- perda ou excesso de apetite;
- diminuição de interesse em atividades anteriormente prazerosas;
- dormir demasiadamente ou ter insônia;
- dificuldade de concentração e falta de foco;
- pensamentos sobre fazer mal a si ou aos demais.
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Sinais do humor hipertímico
É possível imaginar esse estágio como o extremo oposto do episódio vinculado aos sintomas depressivos. Assim, surgem disfunções como:
- euforia;
- autoestima excessivamente elevada;
- fala rápida, alta e muitas vezes descontrolada;
- raciocínios acelerados e falta de foco;
- elevação da impulsividade, com adoção de modos de agir nocivos;
- agitação motora;
- irritação e impulsos agressivos.
Os fatores que podem explicar oscilações de humor no cotidiano
No dia a dia, pode ser difícil mapear o causador de uma mudança no modo como cada um se sente, sobretudo quando se leva em conta que isso pode ser bastante frequente, mas sem impactar na funcionalidade. Seja como for, é factível incluir na lista de possíveis causas:
- exposição ao estresse permanente, que, entre outras coisas, causa liberação de determinados elementos (como o cortisol), que amplia a sensação de nervosismo e de agressividade;
- desequilíbrios hormonais, sobretudo em mulheres (menopausa, gravidez, ciclo menstrual etc.);
- dormir menos do que o adequado, o que afeta profundamente a qualidade de vida e reduz significativamente o ânimo;
- uso de substâncias lícitas (álcool, cafeína, nicotina) e ilícitas (drogas em geral);
- alterações médicas de diversas naturezas, que vão desde quadros neurológicos degenerativos até disfunções na tireoide, responsável pela produção de elementos envolvidos no metabolismo humano;
- a presença de determinadas condições de saúde mental, como a depressão e o transtorno afetivo bipolar.
Uma boa prática para aumentar a autopercepção em torno do próprio humor é registrar como ele evolui com o passar do tempo.
Além de perceber possíveis oscilações com mais agilidade, isso ajuda a nomear queixas, compreender essa dinâmica e ampliar a inteligência emocional, um recurso valioso para lidar com si mesmo e com os outros.
Outras recomendações de cuidado com esse aspecto da saúde mental
A partir do patamar que a oscilação entre os tipos de humor se torna uma preocupação, a principal orientação é procurar ajuda especializada.
Psicólogos e psiquiatras, cada um a seu modo, fornecem a assistência para identificar as causas por trás da reclamação e assim proporcionar a orientação para o tratamento adequado, se for realmente necessário.
Os profissionais de psicologia podem, por exemplo, conduzir sessões de psicoterapia capazes de trabalhar padrões de pensamento e comportamento desencadeados pelos transtornos de humor. Isso propicia mais ferramentas de enfrentamento diante da condição.
Já os eventuais medicamentos prescritos pelo psiquiatra são úteis para controlar os sintomas e devolver a qualidade de vida. Dependendo da gravidade da situação, a combinação de remédios e terapia tende a ser mais eficiente.
Medidas adicionais para fortalecer o autocuidado
Como complemento, uma série de hábitos deve ser considerada na rotina, independentemente de haver ou não um diagnóstico do gênero. Assim, é relevante investir em:
- redes de apoio, com quem se possa compartilhar dificuldades;
- um sono satisfatório;
- uma dieta saudável;
- atividades físicas regulares e exercícios para aliviar a tensão (meditação, yoga etc.);
- um hobby que proporcione momentos de distração e alegria.
Todo mundo está suscetível a experimentar os diferentes tipos de humor ao longo da vida. Na maior parte do tempo, isso é perfeitamente natural e esperado. Contudo, se observar e se autoavaliar, buscando ajuda quando necessário, são medidas essenciais para a manutenção do bem-estar.
Fontes: